sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Quando tudo muda


Este espaço tem os dias contados. Está mesmo fadado ao fim. Se não ao ponto final, pelo menos a um intervalo forçado, a um ponto e vírgula, um até logo. Confesso que não sei o que farei com o espaço. Lá se vão mais de dois anos de convivência. Tudo mudou agora – e os relatos vão perder fôlego, assim como eu.

Em breve, cruzarei o oceano de volta. Não porque quero, vejam lá. Mas porque tem coisas que a gente simplesmente não controla. E assim a vida faz graça, por mais desgraçada que seja a piada que a vida nos conta. Estou tentando absorver, como sempre, as sutis palavras do poema de Caeiro – aquele que já cansei de repetir, que já repeti até cansar, que li numa segunda-feira nublada de novembro em plena solidão da Praia Mole, em Florianópolis:

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda

Porque quando tudo muda, temos sempre dois caminhos: ceder ou mexer. Prefiro a segunda opção. Prefiro recriar estratégias, reinventar circunstâncias, repovoar os sonhos. Muito do que queria há cinco anos simplesmente já não tem mais peso, não tem mais cor. Sou diferente porque a adversidade colocou-se na minha frente e eu soube caracterizá-la.

Tenho de regressar, de dar um passo atrás para dar dois adiante. Como numa pista de dança. Vou contornando os percalços, tentando não me fazer notar. Como se eles fossem cães bravos. E enquanto esta minha vontade da intensidade continuar, enquanto a coragem me fizer companhia, enquanto a sede do novo ditar as escolhas que faço, serei inconsequente e irresponsável.

Porque quando tudo muda, temos de mudar também. A graça é essa.

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