Este espaço tem os dias contados. Está mesmo
fadado ao fim. Se não ao ponto final, pelo menos a um intervalo forçado, a um
ponto e vírgula, um até logo.
Confesso que não sei o que farei com o espaço. Lá se vão mais de dois anos de
convivência. Tudo mudou agora – e os relatos vão perder fôlego, assim como eu.
Em breve, cruzarei o oceano de volta. Não porque
quero, vejam lá. Mas porque tem coisas que a gente simplesmente não controla. E
assim a vida faz graça, por mais desgraçada que seja a piada que a vida nos
conta. Estou tentando absorver, como sempre, as sutis palavras do poema de Caeiro
– aquele que já cansei de repetir, que já repeti até cansar, que li numa
segunda-feira nublada de novembro em plena solidão da Praia Mole, em Florianópolis:
O que é
preciso é ser-se natural e calmo
Na
felicidade ou na infelicidade,
Sentir
como quem olha,
Pensar
como quem anda
Porque quando tudo muda, temos sempre dois
caminhos: ceder ou mexer. Prefiro a segunda opção. Prefiro recriar estratégias,
reinventar circunstâncias, repovoar os sonhos. Muito do que queria há cinco
anos simplesmente já não tem mais peso, não tem mais cor. Sou diferente porque a
adversidade colocou-se na minha frente e eu soube caracterizá-la.
Tenho de regressar, de dar um passo atrás para dar
dois adiante. Como numa pista de dança. Vou contornando os percalços, tentando
não me fazer notar. Como se eles fossem cães bravos. E enquanto esta minha vontade
da intensidade continuar, enquanto a coragem me fizer companhia, enquanto a
sede do novo ditar as escolhas que faço, serei inconsequente e irresponsável.
Porque quando tudo muda, temos de mudar também.
A graça é essa.

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