Ela é sete anos mais velha que eu, e me ensinou
a ter paciência. Não que seja uma grande diferença de idade a nossa, mas pesa.
Sou urgente. Ela é serena. Já fui mais urgente. Já fui urgente e ansioso, o que é pior. Aprendi a
controlar a ansiedade – nunca totalmente, porque o frio na barriga também é vital.
Sou urgente, querendo viver várias vidas na minha vida.
Não sei por que, nem sei bem quando, coloquei na
cabeça que morreria aos 54. Meus parentes e amigos acham descabido o prelúdio. A reação costuma ser: “Deixa
de ser besta, Gustavo! Que morrer aos 54 o quê!”. Sei lá, é um feeling... Independentemente disso,
morrendo aos 50 ou batendo as botas aos 90, acho que meu jeito de levar a vida
será igual.
Conservei a paciência em estufa apenas para
continuar plantando as minhas vontades à vontade. No tempo delas. Sinceramente,
não sei seguir uma trama convencional.
Desculpem lá. É verdade: as obrigações e a rotina nascem da responsabilidade, e
às vezes me questiono o quão irresponsável sou ao me esquivar dessas coisas. Mas
é assim que me sinto pleno, que meus planos assumem vários terrenos.
A ideia é simples: a gente perde muito tempo
perdendo-se no que já está perdido. Não prego podar os compromissos; rego o comprometimento
com a existência.

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