domingo, 24 de outubro de 2010

O que é que a vida vai fazer de mim?


Ela é sete anos mais velha que eu, e me ensinou a ter paciência. Não que seja uma grande diferença de idade a nossa, mas pesa. Sou urgente. Ela é serena. Já fui mais urgente. Já fui urgente e ansioso, o que é pior. Aprendi a controlar a ansiedade – nunca totalmente, porque o frio na barriga também é vital. Sou urgente, querendo viver várias vidas na minha vida.

Não sei por que, nem sei bem quando, coloquei na cabeça que morreria aos 54. Meus parentes e amigos acham descabido o prelúdio. A reação costuma ser: “Deixa de ser besta, Gustavo! Que morrer aos 54 o quê!”. Sei lá, é um feeling... Independentemente disso, morrendo aos 50 ou batendo as botas aos 90, acho que meu jeito de levar a vida será igual.

Conservei a paciência em estufa apenas para continuar plantando as minhas vontades à vontade. No tempo delas. Sinceramente, não sei seguir uma trama convencional. Desculpem lá. É verdade: as obrigações e a rotina nascem da responsabilidade, e às vezes me questiono o quão irresponsável sou ao me esquivar dessas coisas. Mas é assim que me sinto pleno, que meus planos assumem vários terrenos.

A ideia é simples: a gente perde muito tempo perdendo-se no que já está perdido. Não prego podar os compromissos; rego o comprometimento com a existência.

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