A capital inglesa é uma saga. Às vezes, uma
daquelas ficções científicas que assistimos na infância. Londres gera um
fascínio descabido, possui uma pluralidade de costumes e rostos que desata da
cidade qualquer nó de vínculo com a ilha. Londres ainda pertence à Inglaterra
por uma mera coincidência geográfica.
Tudo flerta com a diversidade, com a mistura. Das
pessoas às lojas. O mais impressionante, apesar de tudo, é que as coisas
funcionam com eficiência maquinal. Há uma lei de conduta implícita que dura
cerca de dois séculos – enquanto isso, a imigração em Portugal deve beirar as
duas décadas de existência.
O visual da urbe, tradicional e cinematográfico,
também rouba a cena. A imagem imponente do Big Ben, às margens do Tâmisa, dá um
realce poético ao frenesi
pós-moderno. Londres para nestas horas de puro deleite contemplativo. E a fog, o clima chuvoso, o ar bucólico...
tudo isso são afrodisíacos infalíveis.
Por azar, não consegui pegar a troca da guarda
no Palácio de Buckingham. Nem cruzei a famosa faixa de segurança da Abbey Road.
Mas nada para se lamentar. Vi desde os lépidos esquilos no Green Park aos
principais pontos turísticos da capital (entre eles, os estádios Stamford
Bridge, Emirates e Wembley). Passeei pelas ruas abarrotadas de gente, peguei um
daqueles ônibus clássicos, bebi cerveja nos pubs,
comi uns pratos típicos, pratiquei meu inglês tupiniquim, me perdi e me
encontrei.
Londres permite. E se esperava muito, me
surpreendi com o mais. Viajar é ter a mente e o coração abertos. Experienciar é mesmo isso.
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