“Um pouco sem graça”. Foi o que
pensei à primeira vista. Liverpool não é atrativa. Nem tem atrações. É simples,
com seu cotidiano convencional de uma cidade convencional. A magia ficou no século
passado e leva seis letras: Beatles.
Quando percebi isso é que tudo
ganhou um novo prisma. Um prisma melhor. Porque, de resto, não há qualquer
sedução especial. Sim, é divertido reparar naquelas residências típicas
inglesas, que só via em filmes. Ou tentar compreender o traiçoeiro sotaque nativo, às vezes mais similar (para mim) ao
alemão que ao inglês.
A Albert Docks é um alento, e
depois são ruas e ruelas voltadas para o consumismo, com nomes sugestivos:
White Chapel, Church Street... Nesse English Way of Life difícil comer alguma
coisa que não seja óleo. Vai desde o tradicional burger até o famoso fish
& chips. De preferência na companhia de uma pint da australiana Foster’s.
Mas voltando aos Fab Four, tirei um dia só para o
passeio. Visitei a exposição fixa da história da banda, fui à rua (Mathew
Street) onde o quarteto praticamente iniciou sua empreitada ao sucesso, estive
em Penny Lane, na escola primária em que John e Paul estudaram, em Strawberry
Field, na casa da infância e adolescência de Lennon, na St. Peter’s Church...
enfim, uma overdose de Beatles.
Porém estar em Liverpool e não
seguir a trajetória do quarteto é o mesmo que ir a Roma e não visitar o Coliseu,
ao Rio e deixar de subir ao Cristo Redentor, a Paris e desprezar a Torre
Eiffel, a Barcelona e sentir pouca – ou nenhuma – vontade de lá viver. Só por
isso vale a pena. Precisa de mais?
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