Roubei a expressão do título de Rubem Alves.
Além da tatuagem no braço (Tempus fugit
é o nome de um dos seus quase 40 livros), o escritor-psicanalista inspirou-me
neste outro termo: imagem poética.
Adoro a alusão. As relações que os dois verbetes
desencadeiam, juntos. Como numa engrenagem mental. Usufruo das palavras para
falar deste aperto que sufoca o meu peito nos últimos dias. Estava a pensar no tchau, em tudo que foi aqui vivido,
minuciosamente vivido, para que as recordações fossem as melhores possíveis.
Fossem imagens poéticas.
Dois anos podem ser resumidos assim: intensidade. Sei que não é o ponto
final, mas custa deixar para trás as experiências e amizades. Já escrevi sobre
isso inúmeras vezes – no papel e na minha cabeça. Já pensei e pensei e pensei
que trata-se de um até logo, de coisa temporária, de uma pausa forçada. É como
se parássemos o filme na metade para ir ao banheiro.
Meu coração está pequenino. Tenho dificuldades
em respirar – e, desta vez, não é culpa da maldita asma. É falta de ventilação
na alma, coisa que nenhuma bombinha de aerossol resolve. Estou ofegante, ansioso,
confusamente consciente de que completei meu objetivo ao vir a Portugal. Que o
superei.
Vocês foram maravilhosos. Vocês são fenomenais. Cada fragmento da minha
história lisboeta recebeu uma pincelada de beleza, um toque de graça convosco.
Desculpem a pieguice, desculpem este
texto cor-de-rosa. É que falar deste tipo de coisa sem ser meloso é mais
difícil que um mestrado na Nova.
Guardo-os na lembrança com carinho sublime. As imagens poéticas infindáveis. Bastará eu fechar os olhos e estarei a fazer
palhaçadas para todos rirem. Como aconteceu muitas vezes. E acontecerá mais outras tantas.

3 contribuições:
:)
A imagem poética que deixas em nossos corações rasgam a carne e insuflam a alma.
Imagens da alma, imagens da história, que carregas contigo e cada uma consigo. Deixa que há mais pinceladas, mais palavras e fotos, despedidas e chegadas....
Denise
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