Não quero nem imaginar como é o
inverno daqui. Se no verão, e ainda é verão oficialmente, o frio já
instaurou-se convicto e ando a “fungar” o nariz, em janeiro congelaria. Mas o
céu está limpo e o sol engana um pouco a sensação gélida.
Edimburgo é encantadora. Tem aspecto
de cidade interiorana, pacata, velha. E olha que é a capital! As pessoas são
bem dispostas e as construções lembram o período industrial. A arquitetura
georgiana cede lugar à modernidade em uma ou outra ocasião. É tudo sóbrio e
sombrio – melancalimente inspirador.
A Escócia tem uma história
estimulante. Nada da lengalenga de William “Mel Gibson” Wallace. Procurem sobre
o cão Bobby, sobre Maggie Dickson, “Bloody” Mackenzie, os serial killers da Victoria
Street e a Pedra do Destino. Aliás, se a Grã Bretanha é hoje constituída por
Inglaterra, País de Gales e Escócia, todos ligados pela terra, a tendência é que
um braço de mar separem-nos.
No entanto isto já é falar sobre
o futuro. Amanhã vamos a Dublin.
***
Coisa que gosto é misturar-me
aos moradores. Parecer um deles, andar na rua com a convicção dos caminhos. Não
gosto de turistar. Desconfio de
tardes num museu, de enquadramentos a estátuas, de deslumbres arquitetônicos.
Gosto de ruas ermas, de parques
aconchegantes, de cafés triviais. Quanto mais seguro eu percorrer a cidade,
quanto menos recorrer ao mapa (ainda que custe me perder por aí), melhor. Particularidades
de um flanneur.
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