domingo, 10 de outubro de 2010

Dublin, 19-09-10


Uma palavra, tão-somente, parece escassa para descrever a “movida” irlandesa. Dublin é distinta, é diversa, riquíssima em sua pluralidade. O frenesi, o vaivém de pessoas dos mais amplos mundos, não cessa nem em um domingo chuvoso. Apelidei-a de “Little London” justamente por esse aspecto. Espero para ver na capital inglesa o que deparei em Dublin, mas em proporção muito, muito maior.

De tradicional a cidade não tem nada. Cai, aliás, na mesmice de grandes urbes, sem o encanto da novidade. A arquitetura antiga, em alguns setores, traz uma certa nostalgia, sem tanto entusiasmo. As ruas são largas, uma extensa avenida beira o Royal Canal e os habitantes parecem saídos de uma metrópole.

O ambiente, de fato, é cosmopolita. Há um orgulho irlandês no povo, mas não inclina para a intolerância ou o preconceito. Até pelo contrário: Dublin aceita, preserva e valoriza a diferença. Por isso, e pela tranquilidade de entrar no país, cada vez mais brasileiro aventuram-se por lá. O português com sotaque tupiniquim é comumente ouvido na cidade, tanto à luz do dia quanto na crazy night da Temple Bar – em Edimburgo é mais fácil encontrar um anão indígena perneta que alguém do Brasil.

Aliás, é nessa rua com nome do pub mais famoso da cercania, que tudo acontece. Desde um show improvisado ao relento, com miúdas eufóricas ao ver um par de rapazes cantar Twist and Shout e Californication, até uma briga na porta de um bar, com todo aparato policial prontamente acionado (ainda flagrei um segurança de uma boate aos beijos com uma cliente!). Só Dublin mesmo.

Sem contar o desfile de tipos... digamos... esquisitos. A concorrência é forte, seja por qual for o posto. Melhor que assistir ao espetáculo de perto é assistir ao espetáculo de perto com uma Guinness. Até porque falando em Guinness, um dos melhores passeios pela capital irlandesa é na fábrica da cerveja mais famosa do mundo. Paga-se 11€ pela visita, mas além da história da marca, de saber mais sobre o processo de produção e o universo criado por Arthur Guinness em 1759, pode-se degustar uma pint no final da visita em um bar suspenso, com vista panorâmica da cidade.

Eu, como sou merecedor, saboreei a minha. Para não dizer que sou azarado, ainda ganhei outra. O local estava para fechar e o empregado trouxe a saideira, the last one. Ainda duvidei: — For free? E eis que diante do yes dele o gosto de Dublin soube ainda melhor. Cheers, fellows!

2 comentários:

Soraya Barreto disse...

Essa cidade encanta mesmo!so podia ser a terra do U2!;)

danielle disse...

tem uma música do morrissey que fala de dublin. quando a escutei, fui logo procurar no atlas. naquela época não existia internet e nem google. rsrsrsrs... bjs e saudades