“Quem te deu este direito? Cadê a permissão para
romper a minha calma, invadir a minha tranquilidade – que tanto lutei pra
conquistar? Você veio sem avisar, decorou meia dúzia de palavras bonitas,
sussurrou tonterías ao meu ouvido...
e achou que bastava.
“Eu tenho ele. Ele é real, é de carne e osso.
Você não. Você é um sonho, somente
uma ilusão distante e passageira: com este jeito seguro, com esta convicção
leviana e tão sem razão. Nós construímos uma história e, pela primeira vez na
vida, sinto-me cuidada. Ele é real. Você não.
“Poderia dar certo, é verdade. O tempo diria.
Talvez nunca saberemos. O único e verdadeiro amor é o impossível – foi você
quem me ensinou, lembra-se? Num daqueles e-mails. E se senti qualquer coisa por
ti, se te quis com ardor naquela noite e contemplei o teu sorriso belo, foi bem
melhor tudo permanecer na fantasia. A realidade é um veneno, é um tapa na cara,
uma bofetada em cheio. Apaguei os teus recados.

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