Hoje cogitei... como numa conversa de loucos comigo
mesmo... ficar para sempre em Portugal. Cogitei assim ó, sem critério
específico, da mesma maneira que a gente cogita deitar-se sem escovar os
dentes, num acesso de revolta contra as leis do mundo.
O fim de semana foi especial. Não somente porque estive
no Algarve, curti praia e apreciei as belezas naturais do território luso. Mas
porque senti-me inserido no contexto. Era só eu de zuca e oito tugas. O
idioma é o mesmo? Sim senhor. Porém somente um tupinambá nato e hereditário sabe
o que se passa, por vezes, além do Atlântico.
A começar que não dizemos o português, mas o brasileiro. Ora essa, antes tivéssemos mesmo
uma língua própria! Mas não – gosto da língua portuguesa tal como é, tal como
herdámos. E enquanto procuro caminhar e aprender com o seu movimento (porque o
palavra nunca estagna), algumas pessoas preferem o combate a essa relação natural.
Bem, mas não era isso que queria me deter. E sim a
condição igual – ou próxima – que, aos poucos, conquisto. Sinto-me diferente, é
verdade. Impossível esquecer que sou o estrangeiro do certame. Impossível não
atribuírem estereótipos e convenções à minha personalidade. No entanto,
atinge-se a própria maturidade disso tudo.
Quero ser breve. Conciso. Ia dizer que Portugal
fica no coração do melhor modo possível. Mais que isso: sem rancor de qualquer
estupidez que sofri aqui. Pois isso não é definição de povo, de nação – indivíduo
sem cérebro existe em todo lugar, sob a bandeira que for.
Só luto pacificamente para que a minha boa vontade
e pureza sejam disseminadas ao vento, e cheguem aos brasileiros e portugueses
que não notam que ruminam o preconceito – sob a forma de anedotas, de senso
comum, de ideias equivocadamente concebidas, de impressões e achismos levianos. Apelar para o
discurso da irmandade é clichê.
Logo, só direi isso: ganhamos demais com a mistura.
Experiência própria.

1 contribuições:
Não poderia concordar mais! Viva a mistura, e não só entre as nacionalidades. Mas a mistura perfeita de regionalismos, sotaques e culturas que o nosso país proporciona. E que pudemos sentir da melhor maneira nesse tempo de convivência.
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