quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A própria experiência da mistura


Hoje cogitei... como numa conversa de loucos comigo mesmo... ficar para sempre em Portugal. Cogitei assim ó, sem critério específico, da mesma maneira que a gente cogita deitar-se sem escovar os dentes, num acesso de revolta contra as leis do mundo.

O fim de semana foi especial. Não somente porque estive no Algarve, curti praia e apreciei as belezas naturais do território luso. Mas porque senti-me inserido no contexto. Era só eu de zuca e oito tugas. O idioma é o mesmo? Sim senhor. Porém somente um tupinambá nato e hereditário sabe o que se passa, por vezes, além do Atlântico.

A começar que não dizemos o português, mas o brasileiro. Ora essa, antes tivéssemos mesmo uma língua própria! Mas não – gosto da língua portuguesa tal como é, tal como herdámos. E enquanto procuro caminhar e aprender com o seu movimento (porque o palavra nunca estagna), algumas pessoas preferem o combate a essa relação natural.

Bem, mas não era isso que queria me deter. E sim a condição igual – ou próxima – que, aos poucos, conquisto. Sinto-me diferente, é verdade. Impossível esquecer que sou o estrangeiro do certame. Impossível não atribuírem estereótipos e convenções à minha personalidade. No entanto, atinge-se a própria maturidade disso tudo.

Quero ser breve. Conciso. Ia dizer que Portugal fica no coração do melhor modo possível. Mais que isso: sem rancor de qualquer estupidez que sofri aqui. Pois isso não é definição de povo, de nação – indivíduo sem cérebro existe em todo lugar, sob a bandeira que for.

Só luto pacificamente para que a minha boa vontade e pureza sejam disseminadas ao vento, e cheguem aos brasileiros e portugueses que não notam que ruminam o preconceito – sob a forma de anedotas, de senso comum, de ideias equivocadamente concebidas, de impressões e achismos levianos. Apelar para o discurso da irmandade é clichê.

Logo, só direi isso: ganhamos demais com a mistura. Experiência própria.

Um comentário:

Soraya Barreto disse...

Não poderia concordar mais! Viva a mistura, e não só entre as nacionalidades. Mas a mistura perfeita de regionalismos, sotaques e culturas que o nosso país proporciona. E que pudemos sentir da melhor maneira nesse tempo de convivência.