Costumo afirmar que tudo tem o tempo do fim. E
perceber este momento é o mais difícil. Normalmente postergamos. Esticamos a
corda para ver até onde vai. Maltratamos o presente, punimos o passado. Tenho receio
de que a mesmice e a convivência
atrapalhem a imagem poética de um bom período.
Sim, nem tudo são pétalas na trajetória. As crises
e as discussões, as fases ruins e os choques de personalidade são necessários.
Assim como aquela tristeza que nos irrompe, do nada, numa terça-feira ociosa de
Outono. A melancolia do Inverno frio e chuvoso, a solidão de uma tarde de
Primavera, a confusão de uma madrugada de Verão.
Ninguém nunca disse que seria fácil. Mas das adversidades
tiramos ensinamentos. Já fui daquelas pessoas de arrepender-se. Hoje aprendi
que é perda de tempo. Aprendi, aliás, que muita coisa que nos focamos – e batemos
a cabeça, gastamos energia – é simples perda de tempo. Como manter-se em algo
por comodidade, por conveniência.
Não. Nesse caso, não mesmo. Jurei, há quatro anos,
que tudo ia ser diferente. Que iria me colocar em primeiro lugar sempre. Às
vezes uma postura minha soa como brutalidade, egoísmo, indiferença. Pode ser
tudo isso, tenho noção. Mas nunca será falsidade. Decidi ser sincero, ainda que
pague “alguns preços”.
Tudo isso para dizer que o tempo do fim
aproxima-se. Que finda uma etapa primorosa do meu conto, que encerra um ciclo
de amadurecimento pleno. Engraçado termos somente esta vida para partilhar.
Porque é pouco. É mesmo pouquíssimo.

2 contribuições:
Belo texto Gustavo.
Que o fim do teu ciclo seja o começo de outro. Que a poeira incerta do tempo de cada um de nós seja o suficiente para manter laços.
"Olá" e "adeus" acabam por se tornar num só muitas vezes...
Abraço
Também acho pouco o tempo...mas ainda bem que eu acredito que não temos apenas essa vida para partilhar!
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