sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Sede de experiências



Ora, meus amigos, se sumi esta semana foi porque estive em contato com a vida. Mas não vou enchê-los com filosofias baratas de sensações difusas. Para os poucos que (ainda) seguem as minhas peripécias d’além mar, orgulha-me dizer que construí um mundo particular nos (quase) dois anos em Lisboa.

A começar pela própria cidade. Chegar sem saber de nada, totalmente nu e exposto a tudo, é das sensações mais assustadoras que há. E, curiosamente, um afrodisíaco natural infalível. Recordo de quando pisei o solo português: meu coração saltou à boca e vi que realizava um objetivo sonhado – apesar de ter noção que aquilo era o início de tudo, nunca o fim.

Depois vamos para as pessoas que me cercam. É precioso sentir que ainda há gente de boa índole, de espírito agregador no mundo. Com o perigo de esquecer alguém, prefiro não citar nomes. Mas hoje valorizo a partilha, o abraço (físico ou simbólico), o companheirismo. Somos uma família aqui, que se ajuda e fortifica. E é tão bom sentir-se cercado de excelentes almas.

Tem também a questão do emprego. De ganhar a vida com honestidade e suor. Ralei sete meses em um café, com a maior energia. Era duro, era penoso, era desgastante. Às vezes arrastava-me de volta para casa – mas nunca perdi o sorriso e a simpatia ao atender os clientes. Aprendi muito.

Veio, então, o clipping. Fazer o que um estagiário de comunicação faz no Brasil. Não que seja um ofício menor. Longe disso: é de uma relevância gigantesca – tal qual a saudade de sujar a mão com jornais. Conheci o universo da imprensa lusa e, mais enriquecedor, conheci figuras inesquecíveis. Hoje, para além disso, traduzo (isso mesmo!) textos do português de Portugal para o do Brasil.

São conquistas. Árduas e merecidas. Conquistas que motivam-me a buscar mais e mais desafios. Satisfeito? Talvez nunca fique. Mas é tal qual a sede: por mais que a sacie naquele momento, ela sempre voltará. E então vou tomar outro copo d’água.

Um comentário:

Sandryne Barreto disse...

É interessante acompanhar a tua vida de tão longe como se estivesse tão perto. É como um romance ou um filme que pouco importa o final. Até porque, como dizia a poeta Mafalda Veiga " o que importa é o caminho que fica
entre achados e perdidos". E que caminho o teu!