sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Pensamentos altos de um anfitrião



Eu aprendi a dissimular. É que com esse artifício a dor é mais amena. Aprendi a evitar o eterno, ainda mais quando o assunto é despedida. Crer num reencontro pode ser enganar-se, mas conforta. E, afinal, estamos sempre a inventar contos para nós mesmos – que mal faz?

Já vejo a cidade com outros olhos. Não de saudosismo, mas da saudade. Recebi um casal de amigos crus de Lisboa e relatar o que os espera é quase como viver de novo dois anos que mais parecem 10. O tempo que voa e escorre entre os dedos é o mesmo que parece prolongar-se por séculos.

Revisito as Sete Colinas com um misto de sensações estranhas. Sinto-me aliviado por transcender, por prosseguir meu caminho – afinal, sou feito de movimento. Mas preservo este vazio das coisas simples que juntei nesta aventura: amigos, memórias, valores e fantasias.

Não me arrependo de escolher o adeus. Nem irei me arrepender num dia adverso, numa noite de solidão. Quando piso o próximo passo, esqueço de olhar pra trás. Não vale a pena. O meu melhor empreendimento responde pelo nome de experiência. Pode não trazer uma carreira de sucesso ou segurança financeira, mas a bem da verdade nunca foi essa a minha determinação.

Ainda sou mais dissimular o peso e subverter a vida que deixar-me ceder à preocupação. Tudo é muito fugaz.

3 comentários:

Alex Gruba disse...

este é o meu guri!
hehehehehe
belo texto, seu portuga de uma figa. muito bom mesmo!
abraço de um renovado florianopolitano que já disse adeus a um monte de coisa e sempre segue em frente em busca de continuar no caminho...

Soraya Barreto disse...

Belo texto, Gu. Me conforta saber que sempre posso refugiar a saudade de ti nessas belas linhas que escreves. Acalenta o coração!

Sandryne Barreto disse...

Às vezes dá uma vontade de ser igual a você quando eu crescer...