domingo, 8 de agosto de 2010

A (não) revelação de querer ser pai

Pai. Tantos a evitarem e eu a querer. Mas ssshhhh, não contem a ninguém. Acho que isto não ajuda lá grande coisa nos dias de hoje. Digo na paquera, na conquista, no flerte (os portugueses têm um termo pesado para esta saborosa aproximação: engate).

O fato é que as mulheres andam a fugir de filhos. Andam a esquivar-se de homens à moda antiga, dos gentlemen sonhadores. São uns bobos, uns manés, uns desatuais, uns livros na era dos iPads. O aspirante a pai, ainda que nem namorada tenha, é um quasímodo.

Mas olha, não contem a ninguém que revelei tudo isso. Até porque ia falar de outra coisa neste texto e acabei por ser pego no impulso da data. Sim, porque hoje é Dia dos Pais no Brasil. Meu progenitor que o diga: não o parabenizei ainda (são 21h30 em Lisboa e quatro horas a menos em Brasília).

Uns tempos atrás avisei-o das minhas peripécias. Ou da continuidade das minhas peripécias, para ser justo com a conjuntura. E de algo que nunca posso reclamar é do apoio dele nas minhas decisões mais estapafúrdias. Penso, analiso, pondero e comunico: ele sempre tem palavras de incentivo, sempre faz questão de frisar que está comigo para o que der e vier.

Não só ele: minha mãe e irmã também. Mas o tema é pai, ainda que fosse escrever sobre uns singelos presentes que andei por aí a ganhar e de uma visita guiada a uma praia estrelada – afinal, tanto o receber quanto o contemplar são dois poemas em prosa que ainda vou partilhar. Meu pai, tenho certeza, fica orgulhoso desta maneira que tento conduzir a minha trajetória: abraço cada momento.

Por isso, e por diversas razões a mais, queria ser pai. Tudo bem que não paro quieto em um canto. Estou em mudança contínua, atrás de aventuras dentro e fora de mim, inquieto por absorver, sorver, ver, er, r. Até a última gota. Mas o amor – ah, o amor! – é a maior dessas aventuras. Inclusive na forma da paternidade. Só que, vejam lá, não contem a ninguém...

2 comentários:

Sandryne Barreto disse...

Que bonito, Gu, mas não generaliza o gênero não.

Logo você que tem o dom de com as palavras unir pelas afinidades e separar pelas diferenças, não generalize com artigos definidos. Use os indefinidos! ;)

Anônimo disse...

acho que também conheço essa praia estrelada... ***