sábado, 17 de julho de 2010

Pegadas


Sim, já há uma vida aqui. Já há aquela vez que morei na Pascoal de Melo, aquela outra em que voltávamos todos juntos da faculdade, a vez da visita à Amadora, do frango com leite de côco do mestre Tito, do carnaval animado no Chapitô, do piquenique com jazz, do show do Jorge Palma em Belém, da neblina na praia de Carcavelos, da surpresa no Parque Eduardo VII, da festa junina na Travessa da Madalena, da Susie V e seu teclado nervoso no Largo de São Miguel... nossa, quanta coisa!

Já há uma vida nesta cidade. Os amigos que fiz, as histórias que escrevi. Há tanto a recordar, e me peguei varrendo a memória, enquanto passava despretensioso pelas fotografias tiradas cá. Vejo as viagens, as despedidas, os aniversários, as ramboias, e consigo perceber o quanto fui feliz em Portugal. Ou melhor: o quanto sou feliz – ainda que em alguns momentos batam a solidão e a carência de estar numa cultura distinta, num modo diferente de encarar o dia-a-dia.

Estou com uma espécie de saudade do presente. Saudade do que encaro agora, repleto de sentimentos, às vezes antagônicos. Não é fácil entender-se, ter de se reconhecer nas situações mais diversas, aceitar alguns modos de agir, de estar, de ser. É um processo árduo, uma terapia de choque.

Se estivesse na mesma realidade que cresci (Brasília) ou na cidade que escolhi para viver (Floripa), nenhuma dessas portas internas teria se aberto. Em breve pretendo dar outro passo, rumar para outro caminho de busca das minhas vontades. Ou fuga dos meus receios. Nunca sei bem em qual critério essas andanças se encaixam. Enquanto tento descobrir, movimento-me.

Um comentário:

Soraya Barreto disse...

Sou muito feliz, de ter feito,e fazer parte dessas portas. Beijão filhote