sábado, 31 de julho de 2010

E agora, Gustavo?



Agora que tudo completou-se, que terminei o que tinha começado, que cumpri a minha obrigação quando, dois anos atrás, decidi vir para Portugal, agora que coloco um ponto final nesta trajetória tão rica, renascem as perguntas: – Então, o que você vai fazer?

Pertinente, muito pertinente. E juro que responderia se soubesse ao certo. Vou cair no mundo, vou abrir de novo as asas e retomar um gosto que me percorre por inteiro: o de viajar. Tenho planos e metas, sonhos e desejos. Por essa trilha de pedregulhos, sinuosa e desabitada, é que curto caminhar.

Sim, meus caros, minhas ideias fervem. Talvez já tenha decidido o rumo, mas prefiro o silêncio – aquele silêncio que faz quando as nuvens, de passagem, tapam o sol. O meu frio na barriga também existe, também é real. Mas ele motiva-me, instiga-me a continuar. O que encontrarei do outro lado da porta?

Por enquanto é de Lisboa que sou feito. E será assim por agosto, o ápice do verão. Nesta altura, confesso, é quando tenho mais saudade de Floripa. Ando com uma nostalgia praiana: do Matadeiro, Campeche, Moçambique, Brava e até Mole e Joaca. Uma nostalgia boba, que abraça tudo de uma vez – sem preferências.

Mas também já olho ao redor com um pesar leve, uma lágrima contida. É que será difícil abandonar tanta paisagem marcante, elementos que deixaram os cartões postais para enfeitar o meu cotidiano. Vou deixando um bocadinho de mim nos lugares, absorvendo um bocadinho dos lugares, e isso, ao final, tece o meu caráter.

“Metade de mim é partida. A outra metade é saudade.”

2 comentários:

Sandryne Barreto disse...

Que mágico, Gu! Eu tenho certeza absoluta que pra onde quer que você vá, sempre muito levará...e mais ainda deixará! Luz, sorrisos e amores no teu caminho! Beijo grande

Soraya Barreto disse...

O sentimento de cidadão de mundo é especial, mágico e repleto de liberdades estimulantes. Voa filhote!