terça-feira, 13 de julho de 2010

A Copa do quarto - 15



Eu juro que é o último texto sobre futebol. Eu juro. Já disse que juro? Mas vocês que não me conhecem não entendem. Vocês que me conhecem já não entendem. Eu me conheço e não entendo. Então vai entender... O futebol é meu ópio, sim senhor, e podem bradar contra esta “causa menor” que não me atinge: adoro causas menores.

Não é à-toa que, para falar do ludópedico esporte, escolho um gênero inferior: a crônica. Ora essa, se vamos passear pelo esgoto, nada melhor que vestir-se maltrapilho. (Agora a sério: coitada das pessoas que só veem maquiavelismo no futebol, e também conseguem enxerger – e repercutir o discurso comum – de que o jogo foi entregue às traças do negócio, ao dinheiro escuso, aos empresários maliciosos e interesses de poder)

A Copa do Mundo movimenta bilhões de dólares, assim como o cinema, a música, a literatura. Porém meu interesse é poético, é mágico, transcendental. Conversava com um senhor português no jardim do Príncipe Real, sábado. A Espanha não havia sido campeã, a Alemanha e Uruguai ainda não tinham feito aquele jogaço, e eu revelei que era jornalista desportivo.

Mecânico como um robô, ele levantou os cânceres que infestam o futebol. Aceitei, concordei e rebati: não é por essa face que olho o esporte bretão. Nem o lado da arbitragem eu tenho ânimo – e, mesmo, autonomia – para opinar. Sempre irritou-me discutir lances triviais do apito, esquemas conspiratórios de manipulação de resultados. Posso ser alienado, o que seja.

Custa-me estar sempre a buscar o “antagonismo”. Neste Mundial, vibrei com o balé de Xavi e Iniesta, os gols de Villa, a eficácia de Müller, Özil, Podolski e Klose, o arrebatamento mágico de Forlán, a precisão de Sneijder. Reclamei da violência do Felipe Melo, do pragmatismo de algumas equipes, do excesso de covardia de uns técnicos. Tudo dentro do campo – tanto no âmbito terreno quanto sagrado.

Lá se foi mais um Mundial e, apesar da overdose de bola, não deixei de gostar do esporte. Apesar de lidar com tanta ladainha (ainda usam aquela do “pão e circo”), de encarar a reprodução vazia de clichês, minha paixão pelo futebol só foi alimentada. Explicava ontem a um amigo: não me entristece o fim da Copa, porque sei que se durasse mais de um mês já andaria feito um zumbi pelas ruas. E tem as ligas nacionais, a Libertadores, Champions League, Copa América, Eurocopa ao longo de outros quatro anos.

Agora, às vésperas de 2014, virá de novo o frio na barriga. E podem saber que desta vez será muito mais intenso. A todos fica o convite: nos vemos no Brasil!

Um comentário:

Sandryne Barreto disse...

A última, a melhor. Acampanhei e ansiei pela série: A Copa do quarto. E que venham a Libertadores do quarto, a Eurocopa do quarto...e se quiser escrever sobre o meu glorioso Sport Clube do Recife, que venha A Série B Brasileirão do quarto...mas que venha! Show, Gu!