segunda-feira, 12 de julho de 2010

A Copa do quarto - 14

Lá está: a Espanha campeã. Com justiça. Mas quem disse que justiça participa do futebol? Não gosto de atribuir merecimento. É tirar a componente mágica do esporte e rebaixá-lo ao plano terreno. O jogo vai além. Nelson dizia que, no futebol, o pior cego é o que só vê a bola.

Concordo. Tire a poesia do ludopédio e estamos fadados à mesmice – também em campo. Se gostei da Espanha ter sido campeã? Claro que sim. Mas não vou dizer muito bem o porquê. Porque vou escorregar nas minhas justificativas. Explicarei que é devido ao estilo mais vistoso da Fúria – a refinada troca de passes, o balé de chuteiras.

A Espanha mereceu (ops!), mas a Holanda também era candidata legítima. Infelizmente, preocupou-se em conter o tiki-taka com pá-pum. Fez muitas faltas. Faltas violentas. Em suma, os holandeses felipemelonaram o título. O segundo lugar foi honroso. Parabéns à Laranja.

Admito, porém, que a fiesta foi tímida. Em Lisboa, pelo menos. A colônia espanhola em Portugal é numerosa, o que soa estranho. Parece que a ficha ainda não caiu, que os vizinhos experimentaram um estado litúrgico. A verdade é que, como argumentou meu amigo Leandro Guimarães, a Fúria está armada de bons talentos. Inclusive para 2014.

Só que isso é uma outra história. Para uma outra Copa do quarto

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