sexta-feira, 9 de julho de 2010

A Copa do quarto - 13

Acho que nem Alladin para um pedido tão certeiro. O mundo pedia Brasil x Argentina na decisão, a Alemanha queria revanche de 2002 com os canarinhos, a Espanha precisava superar a desconfiança por ficar sempre pelo caminho, a Holanda parecia mecânica demais para alcançar uma final, Uruguai sonhava, Gana delirava, Itália, Inglaterra e França invocavam milagres.

No fim, deu o que sonhei, o que nas noites gélidas de inverno, no calor lancinante do verão, me confortava – para ser um bocado melodramático. Deu Holanda x Espanha. Perfeito! Perfeito! Já posso morrer em paz. Já cumpriu-se a minha hipótese de assistir aos alaranjados diante dos encarnados num duelo pela Taça FIFA.

Porque a minha ligação holandesa, já tentei explicar-vos, é inexplicável. Data de 1800 e pouco. É o único anti-esclarecimento que posso supor. Penso que a partir do tetra tupinambá que admirei Bergkamp, Overmars e companhia. Wim Jonk foi um dos grandes meio-campistas que vi atuar – e 99% das pessoas cá nem vão saber de quem falo.

Pela Espanha a relação é mais recente, mais emocional (a holandesa é algo espiritual, de vidas anteriores), mais do sangue. Sangue vermelho e latino que corre nestas veias. Excluindo o fascínio pelo país e pelo povo, pela beleza e simpatia das mulheres, por Barcelona e Madrid, pela culinária, eis que adentramos no plano do tiki-taka.

Mas o que se pasa? – estarão perguntando os desinformados. Ora, tiki-taka é o estilo de jogo espanhol. Um relógio, que faz girar os ponteiros e dita o ritmo em campo. Xavi, Iniesta, Xabi Alonso e Busquets são a engrenagem deste sistema. Aprecio táticas, encanta-me perceber como, de maneira lógica, as peças se movem dentro das quatro linhas. Mas a tática aliada à mágica é ainda mais formidável. Formidável!

Pouco importa quem vença neste domingo. Pouquíssimo. São duas seleções que enchem-me de orgulho gostar de futebol, que é muito mais que um esporte: é um jogo. Tirem-me o futebol, excluam a Copa do Mundo, e me verão com febres amazônicas, com uma melancolia pungente e inesgotável. É que já aprendi a andar e a falar com esse sentimento.

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