sexta-feira, 2 de julho de 2010

A Copa do quarto - 11

Pensei muito no que escrever. Não queria extrapolar, ser insensato, passional demais. Veja lá: estou sempre a me conter. Até quando não devia. Mas torci com afinco e fé para o Brasil – por mais que Felipe Melo, Michel Bastos e Dunga não me agradassem nem um pouco.

Por mim, Felipe Melo tinha nascido na Hungria. Infelizmente os seus pais são brasileiros e ele inventou de ser jogador de futebol. O Flamengo resolveu investir nele, o Mallorca fez a opção de comprá-lo, a Fiorentina foi buscá-lo na Espanha e o treinador da CBF decidiu testá-lo no meio-de-campo.

Felipe Melo meteu a cabeça onde não devia (na bola que estava nas mãos do Júlio César) e perdeu a cabeça como sempre (na expulsão por deslealdade). Tenho um misto de revolta e pena. Peguei-me pensando o que será daqui para frente para este jogador – e depois andei mais uns 10 a 15 anos no túnel do tempo e imaginei-o gordo e esquecido.

Pensei muito no que escrever e saíram essas besteiras. O fato é que “cantei” a cena toda no primeiro tempo: o Brasil desperdiçava chances quando teria de ter marcado 2-0, 3-0. Deu um baile de bola nos 45 minutos iniciais e até agradou ver aquela equipe da América do Sul a jogar – e não uma europeia vestida de amarelo.

A Holanda mereceu. É nosso erro atribuirmos a nossa derrota e nunca a vitória deles. Confesso que fiquei triste, mas também é só futebol. É um meio de enfeitar a vida, dar graça ao cotidiano. É um jogo, prosa em movimento, arte com os pés. Que se foda (desculpem a expressão) glórias ou tragédias, triunfos ou derrocadas. Ganhamos todos com o que o esporte nos proporciona.

Ou, pelo menos, deveria proporcionar. Eu sou laranja, verde, amarelo, preto, azul, branco, marrom, cinza, roxo, transparente... 

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