sábado, 5 de junho de 2010

Sobre festa, adeus e solidão


Lisboa vive os seus melhores dias de 2010. São tempos de calor e de festa na capital. De Junho a Agosto, as pessoas felizes vencem as pessoas carrancudas nas ruas. É o triunfo do bem sobre o mau, da luz sobre a escuridão. Só para as minhas dúvidas aumentarem...

De qualquer modo, cá estou: inserido na cultura portuguesa. Já digo , fixe, bué, , ganda cena, tá béin e partilho do ritual dos cafés. São vários ao longo do dia. Quem me conhece sabe que gosto de me misturar. Sou fascinado por chegar num lugar estranho e fazer-me passar por um nativo.

Pensar num adeus é cedo, mas acontece. Acontece também de querer a despedida (não fiquem lixados comigo, malta). Porque tenho saudade de um lugar especial: Florianópolis – saudade que talvez fosse abrandada em alguns meses. Tenho de pesar meu rumo, minha trajetória. Sinto que cheguei numa bifurcação importante, tanto no lado pessoal quanto profissional.

Em muitas etapas cansa estar longe, cansa a carência, cansa levar tanta porrada no dia-a-dia. De graça. Do nada. Já expliquei que às vezes me passa a sensação de ser mulher de malandro: amar demais um país que nem sempre retribui esse amor. Ora essa, sei que é um discurso abrangentemente piegas, lamechas, mas o que somos nós que não seres da mesma merda de planeta?

Esquece. Estou farto de tentar perceber o outro – o outro que não vale a pena. Há muito entrei num individualismo egocêntrico, autista. Deve ser por isso que a solidão tornou-se a única bagagem das minhas aventuras. E bem que disse a ela, quatro anos atrás: a minha sina é ser sozinho.

* Juro que textos melhores virão. Juro.

4 comentários:

Sandryne Barreto disse...

Então, Gustavo, Aya e Dani sempre estão em minhas orações. Em meus pensamentos de envio de energia positiva para o além mar. Já tem um tempo que você está nessa também. E eu só te sugiro que peças humildemente a seja lá quem for, a quem você acredite (força maior, "o cara" lá de cima...) que te oriente, que te mostre o melhor caminho. Não seja tão independente assim. Faça a sua parte como músico de uma grande orquestra dessa "merda de planeta" e deixe o maestro fazer a dele. Seus textos sempre são ótimos!! Grande beijo.

Sofia Rodrigues disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sofia Rodrigues disse...

Agora bem escrito: "amar demais um país que nem sempre retribui esse amor" - o país até pode ser mas as pessoas que escolheste para te serem próximas não, e isso é que importa ;=)

Soraya Barreto disse...

Concordo com a Sofi. E não te preocupa com a saudade de voltar a casa, todos a temos, e no fim das contas o que interessa é ver quem amamos e queremos bem felizes!