segunda-feira, 21 de junho de 2010

A Copa do quarto - 6

Ora, se Kaká tivesse dado uma cotovelada de jeito, eu até estaria aqui a deleitar-me incognitamente. Seria um senhor ao afirmar que a expulsão havia sido merecida e que qualquer tipo de agressão deve ser punida. Que à violência cumpre-se a regra: vermelho direto, chuveiro, suspensão de no mínimo uma partida.

Mas Kaká nada fez. Pelo contrário. Foi vítima, arrastou-se em campo a ceifadas, esquivou-se de diversas e notórias tentativas de homicídio. Kaká simplesmente travou o corpo, numa virilidade consciente, e acabou por ir embora. De modo injusto, de forma revoltante.

Bater, pode. Entrar com as travas da chuteira uma, duas, três vezes sobre a bola, tudo bem. Kaká nem teve seu dia de Zidane, como muitos gostaram de afirmar. Zidane projetou-se em Materazzi. Arremessou a sua fúria no peito do italiano, vingou-se com honra. Nada aconteceu com o número 10 canarinho: ele parou diante do marfinense e viu a exclusão.

Não faz mal. Porque se o Brasil ainda não demonstrou um jogo de jeito, leve e radiante, um encanto que nem cogito assistir neste Mundial, ao menos comportou-se com garra e vibração. Portugal está empolgado com a goleada. Será um duelo agradável. Queira o árbitro não estragar um espetáculo.

Se bem que o de ontem já o tratou de tentar fazer. 

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