quarta-feira, 16 de junho de 2010

A Copa do quarto - 3

Sofri. Confesso que sofri. Com Portugal, com Brasil, com Espanha. Sofri porque torcia para todos esses – num misto de simpatia, coração e beleza. Mas a Copa do Mundo está hostil, arisca, feia.

Vejam lá isso: das favoritas, apenas Alemanha demonstrou qualidade. É verdade, volto a penitenciar-me por não ter visto os argentinos. De qualquer maneira, é um Mundial do medo. Medo, essencialmente, de ganhar.

Empatar é vitória. Vitória é glória total. Uma pena que a média de gols por partida seja baixíssima. Pior que isso: uma pena vermos um futebol tão fraco, sem criatividade, com lentidões bovinas e boçais.

Reparem na França, na Inglaterra, na Itália. Que seleções chatas! E o Brasil? Do ex-jogo alegre, do anti-espetáculo, do resultado. Odeio estes defensores do triunfo acima de tudo. Posso até entendê-los – não venham me evangelizar! –, mas ainda assim nunca vou aderir à essa doutrina.

Perder e ser a equipe mais bonita a jogar? Sim, prefiro. Porque minha memória guardará muito mais Portugal de 2004 que a Grécia; muito mais a Alemanha de 2006 que a Itália; muito, mas muito mais mesmo, o Barcelona de 2010 que a Inter.

Rezo aos Deuses da bola que no técnico de uma das 32 seleções baixe um Rinus Michels, para sairmos da mesmice que tomou – além da mesmice da vida – os campos. Pode ser o Maradona, que tanto abominam por ter sido (ou ser) drogado. Não me importa isso nem o fato de ser argentino: futebol belo não tem pátria, não tem bandeira.

É como a arte. Um bem geral, universal, da humanidade.

Nenhum comentário: