sábado, 15 de maio de 2010

Lá se vão os sonhos


Ora, lá se vão os sonhos. Sonhar não custa nada? Mas claro que custa! Lá se vão as tenras tardes estirados ao sol, as manhãs de hálito fresco, as noites fogosas, suadas, graúdas. Sonhar custou-me a vida, custou-me a morte. Custa-me a existência sorumbática e sonolenta.

Lá se vão os sonhos, somem por caminhos escusos. Pegam atalhos para outros dias, dias fortuitos e futuros, que nem ao menos nos aquecem. O destino é um prato que se degusta frio, que se devora cru, e nem por isso nos sacia, nos alimenta. Um dia abri as asas para o céu e tudo falhou: caí para um precipício interminável de realidade.

Mas todos nós já amamos certo, já amamos errado. Todos nós tivemos vergonha de gostar, receio de entregar-se, pavor do papel de parvo. Nunca, porém, achei que fosse desencontrar-me aqui, agora, a justificar na escrita o que ninguém um dia jamais poderá conciliar. Somos contos contando contos. E mais nada.

Todos os sonhos se foram, ruíram, esvaziaram-se diante da minha falta de forças para continuar a sonhar. Eu tento. Ah, se tento! E se não consigo, alguma coisa aí deve estar errada. Não venham com pena ou avisos. Com prévias ou colo. A palavra não deve ser uma ponte para a piedade alheia. Deve ser um túnel para a percepção tácita.

Mas já não há luz ao fim dele. Escureceram-se os sonhos.

2 comentários:

Mary Jo disse...

Nao Guh.. é graças ao sonhos (por mais pequenos que possam ser) que ainda cá andamos. Os nossos sonhos são é hoje mais inalcançaveis, mas ainda assim sonhos.

E sonharemos sempre. Sim???

beijoooooo

Anônimo disse...

Milhões de anos que não entro aqui, e quando entro vejo isto?!

Agora vou dar uma bronca:
NADA disso, Gu!

Você é e sempre foi um sonhador. E muitos dos teus sonhos foram realizados, né? Outros foram substituídos.

Deixe de lado este desânimo e corra atrás dos sonhos.

Entendo que voltar para um lugar não é apenas voltar e sim ir, pois hoje considera sua casa Lisboa. Não tenha medo de se readaptar. Não pense que tudo começará de novo. Talvez, esta certeza de que tua a vida é na europa, tenha sentido somente no tempo que passou aí. Olha o quanto aprendeu, viveu...

Não acha que se você voltar, não vai aprender mais e viver o que ainda não viveu?

Aqui também é o seu lugar, Gu!

Um beijo!