sexta-feira, 9 de abril de 2010

Tenho muito a dizer


Não ter nada a dizer é vazio. Ter muito, é agoniante. Preciso exercitar a minha paciência para não dar com os burros n’água. Este jogo é um intrigante quebra-cabeça emocional.

Despertei dos sonhos, hoje, com uma tosse sufocante. Como se as palavras que guardo com cautela acumulassem em meu peito. Escarrei ansiedades e voltei a respirar com (certo) alívio. Este quarto, às vezes, é pequeno demais para a minha solidão.

Sinto que tenho tanto a dizer, mas é preciso calma. Sinto que estou a encarar o meu maior fantasma: a urgência. Sem noção de causa e consequência, tendo a arruinar toda e qualquer possibilidade sublime.

Despertei para a realidade sem, de fato, estar convicto de que é nela que devo estar. E isto que me perturba, este anseio de despir as vontades, de assumir as declarações que escrevo – para apagar depois –, aplacou (um pouco) ao assistir Before Sunset.

É que, acima de tudo, continuo a (precisar) acreditar (no conceito).

Um comentário:

Mary Jo disse...

uma das minhas frases preferidas de shakespeare. (mais uma coisa em comum).
nao tenho acordado com essa sensação. mas tenho adormecido com a sensaçao de que o meu mundo tem sido demasiadamente pequeno para mim. mas o despertar hoje trouxe um pouquinho de luz =) foi bom!!

beijoooooo