sexta-feira, 30 de abril de 2010

Só o sol salva


O sol que agora brilha também faz reluzir o nosso bom humor. Ora, o que somos na ausência do astro-maior, no marasmo do tenebroso Inverno, que não taciturnos dramalhões? Entendo  melhor aquela passagem de “Um homem precisa viajar”, do Amy Klink. Aliás, já a reproduzi aqui milhares de vezes.

Ando muito mais disposto com o calor, ainda que às vezes infernal. O nosso descontentamento é de uma promiscuidade fluvial, bradaria Nelson. Mas estou confortável assim: suando e com a boca seca. Diria até, e vejam só o otimismo, que estou bronzeado, que a praia de domingo passado surtiu efeito.

Ah, este sol pode ser intenso, mas queima pouco. Pouco para quem está acostumado com os raios ultravioletas verde-amarelo. No Brasil, cinco minutos de exposição direta são fatais, são contumazes, são ozônicas. Em Portugal não. Quer dizer, pelo menos para as nossas peles já acostumadas com o “pior”.

A certeza é que a volta do bom tempo muda a cidade. Lisboa passa à vida – vê-se passeios nas ruas, não mais aquela correria esquizofrênica incentivada pelo frio. Os jardins e parques respiram pessoas, enquanto as praias amontoam-se de banhistas. Os festivais musicais começam, as esplanadas estão cheias e há sempre uma cena fixe no miradouro de São Pedro de Alcântara.

Em resumo: é nesses momentos que não me vejo largar as poucas, mas preciosas, conquistas mundanas que fiz. Sinto-me distante do regresso ao eterno sol tupiniquim. Ainda existe qualquer coisa de muita coisa a aproveitar, aprender, arriscar.

Afinal, tudo inicia-se pela letra A. De amar.

2 comentários:

Sandryne Barreto disse...

Que final, Gustavo! Adoro finais que fazem sorrir e suspirar!

Mary Jo disse...

É verdade, o Sol dá vida a tudo o que é lugar e a qualquer pessoa!!!

E Amar o momento, as pessoas, os viveres.

É essa a felicidade Guh!!

beijoooooo