quarta-feira, 14 de abril de 2010

Os 7 crônicos cronistas


Era madrugada e eu trabalhava nos ajustes da tese. Escrevi “Mallarmé” no google, em busca de informações sobre uma obra do escritor francês. Não sei como, nem porque, cheguei a um blog cuja apresentação remetia àquela teoria dos Seis Graus de Separação.

O espaço estava às moscas, mas a ideia tinha peso. Era simples e objetiva, “copiada” dos jornais: sete autores, cada dia da semana o texto de um. Por que não repetir a fórmula? Às vezes me bate uma inquietação quanto ao retorno da escrita. Quis experimentar.

Na mesma madrugada, terminei o que tinha de terminar do trabalho – mentira; acho que nem tive mais concentração para continuar –, e passei a pensar no tal blog. Quem seriam os integrantes? Qual o nome? E o propósito? Como fazer para que tudo não ficasse restrito a uma criação para o nosso (leia-se meu) próprio ego?

Os 7 Cronistas Crónicos nasceu dessas neuroses, mas também de uma esperança tenra e de um entusiasmo imensurável. Rainer Maria Rilke tem uma passagem arrepiante em Cartas a um Jovem Poeta: “Acima de tudo, na hora mais silenciosa da noite, pergunta a si próprio: tenho de escrever? Escave dentro de si até encontrar uma resposta profunda. E se esta resposta for afirmativa, se puder enfrentar esta séria pergunta com um «tenho» simples e forte, então construa sua vida em torno desta necessidade.”

Com o arrebatamento do João, o lirismo do Leandro, a criatividade da Priscila, a perspicácia do Rafael, a leveza da Sandryne e a ternura da Sofia encontrei o equilíbrio ideal para tocar este projeto. Convoquei-os sem saberem muito bem a razão. Pior: sem terem total noção do que se tratava. Aceitaram de imediato – e vi, aí, que podia contar com eles.

Já vamos para a terceira semana e o site tende a desenvolver. A crônica, tida como “gênero menor” nas redações, um híbrido de jornalismo e literatura, encontra-se no despojar das linhas de cada membro do despretensioso blog. Estamos pisando num terreno ainda argiloso, com certo receio de afundar. Mas caminhamos de mãos dadas e com as vontades comuns. 

Num mundo doente a lutar pela saúde, o cronista não se pode comprazer em ser também ele um doente; em cair na vaguidão dos neurastenizados pelo sofrimento físico; na falta de segurança e objetividade dos enfraquecidos por excessos de cama e carência de exercícios. Sua obrigação é ser leve, nunca vago; íntimo, nunca intimista; claro e preciso, nunca pessimista. Sua crônica é um copo d’água em que todos bebem, e a água há que ser fresca, limpa, luminosa para a satisfação real dos que nela matam a sede. (Vinicius de Moraes)

4 comentários:

Sofia Rodrigues disse...

E sabe tão bem escrever só porque sim ;)

Sandryne disse...

Que sejamos então sempre leves, íntimos, claros e precisos. Que a nossa água seja então fresca e limpa e luminosa. E que sigamos em frente!

Mary Jo disse...

Confesso que ainda nao consegui passar por la e prestar a atençao que o blog merece, mas está para breve. I´ll promess!!!

beijoo

Prix disse...

Ah, que bonito =)