sábado, 3 de abril de 2010

Imersão marroquina - Os destinos em detalhes


Foram cinco cidades em seis dias. Alguns outros sítios, como Ifrane (a Suíça marroquina), Meknès e Aït Ben Haddou (sítio das gravações de O Gladiador, Lawrence da Arábia e Alexandre O Grande), ficaram no hi-bye visit. Aquele tipo de turismo do vim, vi e vazei – porque, queira ou não, o tempo é escasso para conhecer metade de um país em menos de uma semana.

De Marraquexe já houveram aqui apreciações mil. Entre prós e contras, gostei da tumultuada urbe. Mas tenho certeza de que não retornaria tão breve. Se voltasse, teria em conta que a logística sofreria significativas alterações. Transitar na medina a pé até não é nenhum bicho de sete cabeças; chato mesmo é chegar até lá... um GTA VI: Lost in Marrakech até pode ser uma ideia rentável para a Rockstar.

De Fes, guardo alguns ensinamentos do nosso guia, Hamush. A fundação da cidade divide-se entre os imigrantes da Andaluzia e de Cairuão, na Tunísia. Uma ponte separa os dois povos na medina de El-Bali, a zona antiga.

Fes é Património Mundial da Unesco e conta com a universidade mais antiga do mundo ainda em funcionamento, a Universidade de Karueein, construída no ano de 859. Aprendi – não na universidade, mas com o guia – que o único animal permitido entrar numa mesquita é o gato, considerado pelos muçulmanos o mais higiênico, justamente por limpar as próprias fezes.

De Rabat, levo a imagem do Atlântico. Pode parecer desimportante, como sempre parece, mas vê-lo pelo lado africano mexeu comigo – como sempre mexe. Tivemos uma longa caminhada, sob um sol escaldante, que só não foi em vão porque a avenida Mohammed V, além de muito agradável, recebia um protesto de trabalhadores para lá de curioso.

Parecia uma gincana, com grupos vestidos com coletes de diferentes cores. Vez ou outra, empreendia-se uma correria: era a polícia a descer o sarrafo nos manifestantes. Cenas do cotidiano – é nessas horas que agradeço por me perder.

De Casablanca, eternizada pelo filme de 1942, ficou a imponência da mesquita Hassan II. Aliás, da película não há nada que possa ser apreciado. Todas as cenas nasceram nos estúdios de Hollywood. Casablanca é quase uma São Paulo, com seu trânsito estufado e sua volúpia econômica. Passamos pouco tempo na metrópole de 4 milhões de habitantes, porém o suficiente para perceber que aquilo lembrava mais as calles da Espanha que do resto do país norte-africano.

De Ouarzazate, usufruímos das simpatias de Habib e Fedoua, do excelente cuscuz tamanho XXL e do bon marché no narguilé comprado pelo Dani. É tudo arrumado e muito organizado na cidade, com aquela mistura interessante do rústico e do atual. O clima também é ameno, levando em consideração que estamos na “porta do Saara”.
O trajeto Marraquexe-Ouarzazate já valeu a viagem: é que o visual da Cordilheira do Atlas encanta qualquer um. Vê-se neve em alguns picos, enquanto a vegetação árida prevalece. As casas de barro margeiam a rodovia e lembram um pouco do nosso sertão. Do que este o povo sobrevive se nem água há direito na região?

São as diversidades de uma nação ainda com dificuldades financeiras, mas com riquezas infinitas em belezas, costumes e descobertas.

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