terça-feira, 16 de março de 2010

Um passeio pelo congestionamento


Em Brasília já há congestionamento. Fico nesse anda e para, anda e para, anda e para que me agonia. Congestionamento só é bom – e olhe lá! – se num plano de 360 graus houver alguma mulher bonita para contemplar.

Daí fico olhando para os lados, buscando no retrovisor central, torcendo que ela se aproxime no automóvel a seguir. Nada. Congestionamento em Brasília é fraco. E como pode com aquelas pistas largas, umas vias infinitas, os carros empacarem uns atrás dos outros?

Disse lá na primeira frase que “já há congestionamento” em Brasília, mas fui bonzinho. Já há há muito tempo. Talvez desde 2005, quando troquei o lago pelo mar. Também em Florianópolis a síndrome da grande cidade chegou. No verão é trânsito de demorar horas para alcançar uma praia. Fica tudo “trancado”, para usar a expressão local.

Quem delicia-se com isso é o diretor de redação do jornal. Deliciava-se, quero dizer. Parece que este novo não tem o fetiche de mandar repórter e fotógrafo cobrir congestionamento. Porque pior que estar nele “despreparado” é estar nele obrigado – são o$$os do ofício.

Em São Paulo, então, nem se fala. Congestionamento que demora menos de duas horas parado nem é considerado congestionamento. É só uma pausa para corrigir as provas da turma, tirar um cochilo, assistir a um filme, terminar o livro que começou no trânsito de sábado... Se o tráfego anda, ainda que a 10 km/h, está tudo “dentro da normalidade”.

Conheço casos de gente que se conheceu no congestionamento. E hoje deve estar casada. Pesquisas têm de comprovar: em São Paulo, o melhor lugar para encontrar um parceiro ou uma parceira é num congestionamento. Tendo coragem de abaixar os vidros, já é meio caminho percorrido – sem sair do lugar.

Devo ser pouco zen, nada criativo ou hiperativo, mas parado numa fileira de motores ruminantes, só consigo pensar o quanto estou deixando de aproveitar o meu tempo. Dá vontade de libertar-se do cinto de segurança e convidar a graciosa moça do carro de trás para tomar um sorvete. Bem, agora não mais: o trânsito voltou a andar.

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