sábado, 13 de março de 2010

Lisboa, a ilha de Lost


Uma amiga que deixou Lisboa recentemente pensa em retornar. Diz que não se adaptou à vida “lá fora” e que ainda tem alguma coisa para absorver do exterior. Opa, espera aí... isso está parecendo a ilha de Lost.

Desculpem a comparação esdrúxula. Mas raciocinem comigo: quem está na Europa – a estudo, é bom que se frise – normalmente pensa em voltar para casa. Sabe que aquilo é temporário, tem prazo de validade, vai esgotar. Daí de chegar pensando em cumprir as tarefas, viajar e pronto. Ces’t fini.

Para alguns, aliás, este período de exílio é duríssimo. Tive colegas de mestrado que sucumbiram ao inverno, à distância afetiva dos portugueses, à saudade da pátria-mãe. E é mais típico que imaginam uma depressão camuflada de “mera” carência.

Mas falava do Lost... Porque ao mesmo tempo que tem quem queira sair, há os que querem ficar. Sou um dos casos, apesar de já ter vivido a minha quota de insatisfação estrangeira. Depois lá de seis, oito meses a gente começa a encher o saco de tudo. Comigo nem foi nostalgia do Brasil – foi esgotamento mesmo.

Essa amiga que deixou Lisboa estava assim também. Tinha umas pendências do outro lado do Atlântico e partiu pensando em não regressar. Hoje recebo um e-mail dela dizendo que planeja um retorno. Então pensei na ilha da série.

No meio do nosso grupo de brasileiros nunca escondemos a curiosidade e certo temor em saber como seria uma volta. Seja ela passageira (como está sendo a minha e como foi a do Dani e da Sol), seja definitiva (como desta minha amiga). Adquirimos costumes e adicionámos estórias ao nosso currículo que, a vistas alheias, podem parecer simples exibicionismo.

Também tem outra: por mais relatos precisos que compartilhe, nunca será a mesma coisa. Quem virou o ano comigo em Barcelona e cantou “pópórópópópó” com os italianos têm a cumplicidade do instante. Até tentei narrar alguns contos para algumas pessoas, mas sempre com o receio de estar sendo enfadonho e mesquinho. Devo ter sido, porque algumas expressões não demonstraram interesse.

Nesta escolha, o final do roteiro é incerto. Ao sair da ilha qualquer readaptação é mais complicada que parece. E só resta, então, o regresso.

2 comentários:

Sol disse...

Momentos...pequenos pedacinhos de nadas e de tudo. Aqueles com a qual compartilhamos identificam-se, os demais talvez nunca entendam. Mas, é isso certamente que faz de nós quem somos. Ler seu diário de borda da vida aproxima você da gente na saudade...Beijocas de uma das suas milhares de fãs (coisa de mãe)

Gustavo Jaime disse...

Carinhosas palavras, minha querida Solita. Vocês são uns anjos preciosos que pousaram na minha trajetória lusitana (parafraseando a Ju, hehe). Obrigado por tudo e ainda ficaremos um bom tempo nesta ilha... assim espero. Um beijo e daqui a pouco eu chego!