terça-feira, 30 de março de 2010

Imersão marroquina - Chá de menta

Por mais agitada que a vida em Marraquexe seja, sempre há uma pausa para o chá. O thé com menta é mais que uma bebida: é um ritual de convivência. Os berberes chamam de seu “uísque”. Em Marrocos é rara a venda de álcool. Nos mercados existe um caixa  de pagamento isolado, especialmente para a compra desses produtos. Os preços também são bem altos.

Aliás, pelo que vimos, vale mais a pena comer fora que fazer feira. Um prato no restaurante custa em média 25dhs. Ou seja, a módica quantia de 2,50€. E posso garantir que trata-se de uma refeição bem servida. Paguei 60dhs num cuscuz e sobrou pelo menos 1/3.

O acompanhamento da comida há de ser uma garrafa grande de água (aprendi, com desenvoltura, a fazer o pedido em francês). A culinária marroquina investe pesado nos condimentos. O açafrão é um dos mais utilizados. Alguns pratos lembram a gastronomia do Brasil – como o tajine de viande haché, que remeteu-nos à rabada. Na dúvida, descobrimos que a garantia é pedir o poulet grillé.

Mas o tema deste post é o thé: feito com erva verde e a menta, para refrescar. Fica realmente uma delícia. Além de hidratar, principalmente no deserto, os nativos capricham na quantidade de açúcar (em barra) para fornecer energia. Nos longos trajetos pelo Saara, uma dose extra de glicose é sempre bem-vinda.

Os berberes são o povo que habita o Alto Atlas e a parte sul do país. São geralmente receptivos e muito gentis. Mais interessados em trocar experiências e histórias que vender, costumam viajar o mundo a partir dos relatos dos forasteiros. Dá gosto ver o brilho no olhar desses intrépidos curiosos. E eis onde o ritual do chá entra.

A bebida é um elo, um "pretexto" para as distintas conversas. Perdi a conta de quantos chás tomei ao longo de seis dias. A despedida do Marrocos teve de ter um. São ótimos, e também ajudaram a construir laços que guardarei com carinho na memória.

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