terça-feira, 9 de março de 2010

Casa de campo ou de praia?


A minha relação com o mar é visceral. Às vezes sinto-me ele, às vezes sinto-me seu parceiro milenar. O mar é o bem mais fascinante da natureza, com sua força e beleza, com sua dança e elegância.

Lá nos idos dos anos 90, eu era um claro contemplador de cachoeira. Entre uma casa no campo e uma casa na praia, responderia com convicção pastoril: – campo! campo! campo! Mal sabia que o amor é uma entidade cambiante.

Viver sem ir ao mar, um dia de sol que seja, é tortura das brabas. E olha lá se precisa mesmo estar com o clima bom. Quando cheguei em Sintra, Portugal, era inverno e fazia muito frio, mas vi o Atlântico pelo seu outro lado pela primeira vez e tive de entrar até as canelas. Amigos, uma confissão: chorei.

Alguns lembram-se disso. O que não sabem é que em Floripa não desceu uma lágrima, mas arrepiei-me todo ao sair da trilha de mata fechada e já ver a areia branca, escutar o barulho das ondas, vislumbrar o infinito azul.

Mais que mexer no ânimo, o mar cutuca a minha alma. Revigora-a. Redefine-a. E estar diante dele é ter a certeza de que uma manhã será muito mais plena, o dia será mais proveitoso depois de um mergulho. Gosto de embrenhar-me nas águas salgadas e desbravar a amabilidade furiosa da rebentação.

Voltei a estar milhares de quilômetros de distância, em Brasília. Mas sinto uma pacífica nostalgia. Sinto-me bem, afinal. Só queria mesmo é molhar a face deste lado de cá do oceano.

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