segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Poética saudade


No primeiro dia eu já sentia saudade. Depois veio o segundo e o terceiro, e a saudade crescia. Essa coisa vazia que dá no estômago, uma corda que aperta o coração, um nó confuso na garganta...

Saudade é um pouco como fome
Só passa quando se come a presença
(Clarice Lispector)

... Assim, do nada: em meio ao pesado congestionamento ou durante uma conversa leve. Saudade intensa, daquela que assalta a paz e nos rapta a razão. E só me imaginava com ela, nela, por ela. Vontade de percorrer suas curvas, seus altos e baixos, seus encantos noturnos.

O que faz as coisas pararem no tempo é a saudade.
(Mario Quintana)

Saudade é das coisas mais urgentes que há. E se a distância é imensa, a saudade grita em silêncio. Quanto mais longe, mais forte ouço a sua mudez. A dor que pronuncia sorrateiramente por entre os vãos do meu eu.

Não quero falar por um largo tempo,
silêncio, quero aprender ainda,
quero saber se existo.
(Pablo Neruda)

Porque tornamo-nos um, e tornamo-nos tudo. Eu sou a Cidade, a Cidade sou eu.

Em vão procuro o bem que me negaram.
As flores do jardim dadas aos outros
Como hão-de mais que perfurmar de longe
Meu desejo de tê-las?
(Fernando Pessoa)

E já é impossível estar na possibilidade da sua ausência.

2 comentários:

Sofia Rodrigues disse...

Vês? Não te podes ir embora!!!:P

Sol disse...

Saudades...saudades dessa presença marcante, de sorriso meigo com furinhos, de sorriso fácil e gracejos.