sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O oposto do que queria antes

Há uns oito meses, se me perguntassem, diria que meu lugar era Florianópolis. Estava cansado de Lisboa, de sempre ter de provar algo, de atravessar dias instáveis, de sentir-me tão só. Quem alguma vez experimentou a carência a fundo, e foi um forasteiro, no exterior ou no próprio corpo, sabe o que quero dizer.

Há uns oito meses, o meu desejo irremediável era voltar, era reencontrar-me com o conhecido. Mas o tempo passa e ensina. Hoje, percebo com nitidez que ainda tenho de compor uns contos na Europa, ainda preciso viver distintas vidas no Velho Mundo. Mesmo que não haja nada certo sobre o amanhã.

Do Brasil, guardo as belezas de uma visita. O prazer de rever a família, a satisfação de reunir os amigos – cada vez mais espalhados por aí. Se fosse simples, fazia questão de receber uma “comitiva verde-amarela”, passear pelas minhas descobertas portuguesas, percorrer um continente riquíssimo em história, cultura, pessoas.

Lá se vão quase cinco anos de independência, bem como sempre almejei, e em nenhum instante arrependi-me. Sabe à liberdade – à real liberdade – quando caminho por ruas estranhas, observo as diferenças, convivo com a mistura, defronto obstáculos, encaro novidades inimagináveis.

Tudo isso é bom de uma maneira que não sei descrever. É bom sentir o mundo como uma casa aberta para você entrar, olhar, dar uma volta, conhecer, sentar, passar a noite, preparar a comida... sem medo do que está por trás de uma porta ou dentro de um armário antigo.

Desconheço onde essa ambição me levará. E se em poucos momentos isso assusta, em grande parte sou grato por poder simplesmente ir ver. Filosofias baratas à parte, é mesmo disso que a vida é composta – é assim que ela, de alguma maneira, adquire um sentido para mim.

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