quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O mar do lado de cá


Mil seiscentos e setenta e três quilômetros e um dia separam-me do mar. Separam-me do ontem que logo vou revisitar; dos amigos inestimáveis, das belezas fulgurantes, das descobertas memoráveis, dos futebóis no estádio, dos mergulhos dominicais, das noites em poesia, dos dias em prosa.

Farei o caminho inverso de dois anos atrás, quando, também após o Carnaval, despedi-me dos contos que colecionei em Floripa. Foi difícil pegar a estrada, com o refrão de A Letra A no volume máximo, pensando no que ficou e no que viria. Ainda guardo essa cena cinematográfica tipo B com um carinho despretensioso e inviolável.

Qualquer regresso é sempre mais assustador que a partida. Ainda que o meu seja breve e na condição de hóspede da cidade que tão bem me acolheu, vem aquele frio na barriga, que só vai aumentar ao cruzar Goiás, Minas, São Paulo, Paraná e ler numa placa que Florianópolis está a poucos quilômetros, a efêmeros minutos.

Acima de tudo, faz-me bem as jornadas de carro. Avião é um teletransporte descartável para quem tem tempo e disposição. Vislumbrar o horizonte com uma boa trilha sonora, com as lembranças e os desejos na mente é misturar presente, passado e futuro. É raridade hoje: percorrer um caminho em teus silêncios – sabe quando as nuvens encobrem o sol? Pois é desse silêncio que falo...

Mal chegarei e vou deixar a espuma lamber meus pés para lembrar como é o mar deste lado de cá do Atlântico. Talvez seja igual, mas sempre tem alguma coisa diferente.

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