quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Calor é prosa, frio é poesia


Calor. Bota calor nisso. Deixei o frio para suar com o verão brasiliense. Que nem é tão árido assim quanto lá no Rio, lá em Floripa, ou em Ribeirão Preto e Recife. Aqui, no exato momento, o termômetro crava 25ºC (e o relógio marca meia-noite).

Venhamos e convenhamos: longe de um ventilador, ausente de um ar condicionado, o clima fulmina a sanidade. Todos os nossos movimentos, desde o mais reles tomar sorvete até a caminhada para apanhar o ônibus, são de uma languidez crassa e inepta. Eis a razão do histórico marasmo tupiniquim.

Diante do sol rasante, queremos sombra e brisa do mar. Queremos água de coco e papo vazio. Em suma: não queremos fazer nada. Ontem, tomei três duchas refrescantes para ver se arrefecia o corpo. Saí com mais calor que quando entrei.

E então baixa um saudosismo irremediável do inverno. Do inverno com céu azul e temperatura aquém dos 10ºC. Daquele vento harmonioso a lamber o rosto, do embrulho de casacos, do chá preto, do caldo verde, do trançar de pernas debaixo das cobertas.

O frio é romântico. Já o calor é insinuante. Do frio nasce a poesia. Do calor surge a prosa. Do frio, um bom vinho. Do calor, cerveja gelada. O frio tem charme. O calor tem sensualidade. Ambos completam-se. Mas por que quase nunca nos satisfazem?

3 comentários:

Luciana Lopes. disse...

No frio - cobertor de orelha. No calor - rolar na areia com quem se gosta ou no caso aqui do DF, ir ao Pontão.
Tenho uma tendência maior ao frio, por ser mais charmoso mas no fundo, usar um biquini é digno....para quem pode, o que não é o meu caso.
Bom calor brasiliense pra você.

Sol disse...

Você de maneiras tão singular sempre nos homenageia...saudades

Jennifer Hughes disse...

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