quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A vida é uns deveres


Às vezes somos atacados por certezas. E eu, que tanto já me vi imerso em dúvidas, hoje caminho sereno, com o peito estufado por estar seguro – a vida começa a ganhar sentido. Não tenho emprego fixo, casa própria ou mesmo um plano.

Mas tenho desejos e coragens. Tenho o anseio do mundo, a vontade de respirar um ar genuíno, tocar a pureza dos dias que não passam simplesmente – colecionam-se. Fui abraçado por uma certeza mais definitiva que a morte: a certeza de viver.

Ou como poetizou Mário Quintana,

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem — um dia — uma outra oportunidade,
Eu nem olhava o relógio.
Seguia sempre, sempre em frente...

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

Um comentário:

Vanessa Amaral disse...

as outras certezas não importam muito mesmo.
beijos