quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Desabafo de um cético


Uma das descobertas mais duras da vida é a do amor. Ou diria, também, a da paixão. O amor que eu acredito não existe. A paixão que desde sempre apostei é um conto dentro de mim. E apenas dentro de mim.

Sou um cético sonhador. Um náufrago à espera do resgate. E ao mesmo tempo em que sinto tanto, em que transporto esta alma de emoções e fantasias, este baú abarrotado de poesias, vagueio silencioso pela escuridão da descrença.

O amor só existe nos filmes e nos livros. Aquela paixão fugaz morre ao primeiro contato com a realidade. Não consigo crer em reciprocidade, não consigo imaginar entendimento pleno e gratuito. E onde foi que erramos? Na procura ou no desejo? Na necessidade ou na carência?

Outro dia, apaixonei-me como nunca. Como um sonho. Mas o amor é dificílimo, das aventuras mais vertiginosas de nossa existência. Porque se ele não existe, se está presente tão-somente em imagem, como tocá-lo e medi-lo?

Há de vir uma mulher que me faça acreditar que é possível lidar com este impossível. Eu não sei não ter amor, mas também já me falta força para dar... sem receber.

Ps.: Lembrei-me de Pablo Neruda e Cecília Meirelles ao pensar que a primeira – e decisiva – forma de amar é não-amar. Porque quem não-ama, tem a capacidade maior para amar. “Eu te amo para começara amar-te, para recomeçar o infinito e para não deixar de amar-te nunca: por isso não te amo todavia”, dizia o poeta chileno. Como será que funciona?

2 comentários:

Anônimo disse...

Acho que a gente sofre da síndrome de Amélie Poulain.

Luciana Lopes disse...

Engraçado, mas apesar de já ter me desiludido nos relacionamentos, ainda continuo acreditando no verdadeiro amor. Não sei se pela minha pouca idade ou se é pelo fato de ser poeta porem, ainda vejo o amor como a grande solução para todas as dores e afins.
Para então, tentar amenizar tanto sofrimento, acabei por tomar certas medidas, digamos assim, que se resume principalmente a não fulga das qualidades minimas para poder estar ao meu lado....... e bem, se cumprir acima de sessenta por cento, as chances de dar certo são imensas. Caso contrário, continuo tendo meu cobertor como o melhor companheiro.
Boa semana.