domingo, 24 de janeiro de 2010

Até o Brasil...


Quando novo, sofria muito por ansiedade. Sou de fogo, intenso e impulsivo. Hoje em dia consigo disfarçar melhor essas características. De qualquer modo, ainda tenho furacões no estômago, terremotos que me abalam.

Mas, curiosamente, quando perguntam se existe ansiedade em partir para o Brasil dou-me conta que não. Que superei este sentido imediato, que abdiquei de antecipar sensações levianas. Porque, de um modo ou outro, a estada de dois meses em solo tupiniquim já está planejada e decidida há meses.

O que me detém nos momentos mais amplos, desvia o pensamento e furta a calma é o desconhecido: o pós-Brasil, o regresso a Europa, o rumo que darei à trajetória cambiante. Será que devia ter tudo traçado ou basta um desejo a seguir? Ainda assim tenho muito caminho até tocar os meus anseios profundos (que nunca devo deixar dissipar).

Este é um texto de improviso, tal como gosto de guiar-me pelo mundo. Não imaginava sentir este aperto forte no peito com um corriqueiro "até logo". E fugi de qualquer diálogo que soasse como uma despedida definitiva, porque realmente sinto que é. Lisboa já parece vista do alto, como uma doce lembrança.

Ao mesmo tempo tem as amizades de Ju, Sol, Dani, Jana, Joel, Tito, Ana, Dago, Lari, Duda, Hulana, Sofia, Sara, João... e meu peito aperta. Gente que cruzou meu caminho e tornou-o mais pleno, mais puro, mais belo. Gente que ensinou-me muito mais que livros, mais que professores doutores, mais que qualquer mestrado.

Obrigado pelas parcerias de sempre. Porque nunca escondi que é para misturar-me que viajo. Este é o principal título que carrego – com orgulho.

6 comentários:

Jehoel disse...

A Força está no Coração, rapaz! Cabe a cada Homem e Mulher aprender a governar a Sua! A partir daí concretizam-se os Milagres! :)

Indelével disse...

No fim das contas
sao as pessoas
com as marcas
que deixam
em nós
que ficam

Sofia Rodrigues disse...

Oh, que aperto no estômago! Mesmo que não seja em Lisboa, havemos de nos encontrar, mesmo que não muitas, mais inesquecíveis vezes. Somos cidadãos do MUNDO! ;) Quando chegares,avisa.

Gustavo Jaime disse...

Aperto mútuo, tácito, recíproco. Também é difícil dar "adeus", ainda que sob a tutela de um "até logo". Mas todo adeus é transcendental. E a vida deve continuar no sua languidez frenética. Acredite ou não, mas já sinto saudade de todos e de tudo. Reconheço o meu lar em cada um que cruza o meu destino. E que lar! E que destino!

Anabela da Silva Maganinho disse...

fica a saudade, é verdade essa fica. a saudade das idas ao bairro, da ginja ou da cerveja, das conversas... pelo menos da ginja fico com o copo de lembrança:) Saudades das idas e vindas, das desilusões e anseios, das conversas e risadas, das venturas e desventuras, das reclamações e esclarecimentos, das puras conversas, puros abraços, sentidos cumprimentos que ficam sempre para nós os amigos:) saudades de ti gu, grande amigo:) beijinhos

Sol disse...

Por que você é assim tão querido. A saudade já nos impõe sentimentos melancólicos. Saudadesssssssssss