quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

É merecido!


Dezessete anos depois, cá estou em Portugal para ver o Flamengo levantar a taça de campeão brasileiro. Não quero celebrar o oba-oba ou antecipar a glória vermelha e preta, mas perder o título diante da conjuntura é tão improvável quanto nevar na Bahia.

O pior de tudo é que, pelo andar da carruagem, o desmérito vai marcar a conquista. O Flamengo foi a melhor equipe do segundo turno, triunfou brilhantemente nas mãos de Andrade, e ainda vão fazer questão de enfatizar que facilitaram a nossa vida.

Justo a nossa nada-fácil vida, de vertiginosas frustrações (a lembrar o Grêmio em 1997, o Santo André em 2004 ou o América do México em 2008) e intrínsecas ligações com a Série B. Aliás, quando o Fla não caiu em 2001, foi ajudado. E agora, se for campeão, também terá sido ajudado.

Caso fosse assim, caso o clube da Gávea desfilasse tamanha força nos bastidores, acham mesmo que enfrentaria 17 anos de jejum? E outra: São Paulo, Inter, Palmeiras, Atlético-MG e Cruzeiro falharam pelas próprias pernas. Oscilaram, titubearam, baquearam, como muitos num torneio equilibrado (seja pelo alto ou pelo baixo nível, não importa).

Quero mesmo que o Grêmio entre em campo como se fosse uma decisão de campeonato gaúcho – e o Flamengo fosse o Internacional. Quero que a hombridade que faltou aos colorados no ano passado não falte aos tricolores este ano.

Gosto de acreditar, ingenuamente, no caráter íntegro do ser humano, ainda que Nelson Rodrigues tenha me alertado diversas vezes que “no Brasil quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte”. E não há melhor definição para este momento...

O iminente título rubro-negro não pode ser manchado por especulações tolas. Não pode ser posto em causa por conta de um goleiro esquentadinho ou um meia de polêmico histórico. Em vez disso, que tal exaltar a lucidez do técnico Andrade, a maestria de Petkovic, os gols de Adriano, a competência de Bruno, a dedicação de Maldonado?

Meu manto sagrado está a caminho para erguer-se como uma bandeira no arco, na comemoração do sexto título. Merecido e justo. Ou então não quero mais crer no bom feitio do homem.

2 comentários:

Sandryne disse...

Desafio você a me mostrar as seis taças, Sr. Gustavo. A de 1987 está na Ilha do Retiro, em Recife. Ela pertence ao glorioso Sport Clube do Recife. Podemos conversar sobre isso nesse blog também??

Gustavo Jaime disse...

Nem devia cá estar a comentar, srta. Sandryne, porque apenas a "idônea" Confederação Brasileira de Futebol reconhece o Sport como campeão nacional de 1987. É um assunto polêmico, mas já há de saber que o regulamento oficial da competição previa uma coisa no início e teve seu quadro alterado no meio: daí pro Flamengo não aceitar de disputar um título que já era, de lei e de direito, dele.

Bem, mas isso são outros 500. O fato é que temos seis e vocês, vá lá, um (sendo bondoso, ainda assim, a considerar uma conquista repartida). Hehehehe.

Beijão!