sábado, 12 de dezembro de 2009

De regresso a viver só


De novo, e por pouco tempo (mas o tempo ideal para me devolver um certo entusiasmo que andava ausente), volto a morar só. Mal lembrava como é acordar com espaço e caminhar sem pudores. Como é ter o banheiro sempre livre e a cozinha do jeito que deixei à noite – poder tomar café da manhã com a privacidade que pede um café da manhã de inverno.

Durante um ano e meio, em Florianópolis, vivi num apartamento vazio. Experimentei dores e sabores da solidão, e posso dizer que em alguns momentos o que mais quis foi dividir. Mas dividir o lar com estranhos é mais difícil que parece, um desafio bem mais estreito que os seriados e filmes nos fazem crer.

Nunca tive conflitos sérios. Talvez porque não invista em problemas – afinal ver suas compras desaparecerem da despensa, definitivamente, é motivo de conflito. Esse é o preço agregado que se paga por partilhar a mesma área, pois algumas pessoas acham que o que está na casa é da casa. E existem tantas outras situações desconfortáveis que consumiria o tempo de vocês ao espreme-las.

Acostumei a estar só, por mim mesmo. Acostumei a fazer comida para um, a não passar roupa, a deixar a tampa da privada levantada. Acostumei lá atrás, com muito gosto – e certo custo por a solidão tornar-se uma emboscada. Fico em Lisboa até meados de janeiro contemplado por esta saga anacoreta, e quando regressar do Brasil (em março) os dias voltam a ser limitados.

Porém, será um mês muito bem aproveitado. Podem ter certeza.

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