sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Bom Natal e Boa Sorte


Ainda fico confuso porque todos oferecem um Feliz Natal com ares de piedade, de boa sorte. É verdade que os abraços são efusivos e há sorrisos no rosto, mas o fundo dos olhos revela aquela impressão de que vamos pra guerra.

Eu não consigo gostar do 25 de Dezembro. Ou do 24. Por mais que tente, que me junte e me misture, é uma data sem sal. Como o arroz com amêndoas que fiz ontem para a ceia – e se mal tocaram nele foi porque tinha comida demais, viu?

Vale a família. E meus Natais tiveram alguma graça quando os passei com os tios e primos em Pirenópolis (cidadezinha do interior de Goiás). Muito mais pela festa, pela bagunça, pelas risadas na simpática casa da Tia Sonja do que, propriamente, pelo espírito do menino Jesus.

Por falar em Jesus – não o da Madonna nem o treinador do Benfica –, fiz a minha véspera de Natal ser em Belém, pela graça do local e piada fácil com o nome. E com um dia tão harmonioso, de céu azul e frio ideal, não entendi como os parques e as esplanadas dos cafés estavam desertas. Se tivesse optado por um shopping, tenho certeza de que esbarraria no caos.

Então, afinal, onde está o espírito natalino? Vejo um bocado de hipocrisia comparsa e de consumismo histérico. Talvez a gente caminhe mesmo para uma espécie de guerra, e o ar de boa sorte, assim, até faz sentido. Talvez seja só heresia de vida minha. Uma coisa ou outra, nada muda(rá).

3 comentários:

João Guilhoto disse...

Gostei mt deste teu texto Gustavo!
Um abraço

Sandryne disse...

Eu entendo você, Gustavo. De verdade, apesar de ser cristã. Acho que as pessoas de um modo geral focam essa data de forma errônea. Eu a vejo como a data do nascimento do homem mais importante que já nasceu na Terra. De alguém que abriu mão de tudo por aqueles que já existiam e pelos que ainda estavam por vir. Respeito você, apesar de que devo confessar: senti ao ler em outro post que és ateu, ainda me choco com isso, mas repito, respeito. Com certeza, mais vale boas ações do que religiões. E isso pra mim é um fato. Ainda assim, feliz Natal (ou seja, feliz dia de renovação de fé, esperança e paz).

Lolli disse...

Mais um belo texto.
Sabe: também não sou fã de Natal. O que me conforta mais é meu lado Cristão, porque de resto.
Pelo menos nesse ano Papai Noel me troxe um presente espetacular: um amor novinho em folha.

Bom 2010