segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Numa segunda-feira bucólica


Queria ter agora um texto suplente para atualizar o blogue. Um texto já escrito, esperando a sua vez de tomar a página virtual. Um texto sem pretensão de ser o melhor, mas com a leveza de completar um vazio.

Porque escrever é uma necessidade plena e consciente. Publicar o que se escreve já é mais forte que nós. Depois que iniciamos o processo de escancarar nosso eu ao outro, não há mais volta. Partilhar torna-se um vício perigoso.

Os critérios podem dissipar. Posso estampar neste espaço qualquer coisa que me valha – e não contém valor algum. Nem ao menos sei o impacto que as palavras daqui tem aí, em vocês. Recebo retornos (ou feedbacks, na língua dos executivos) esporádicos e espasmódicos.

Minha necessidade de escrita, por vezes, é inimiga. Cria qualquer coisa, inventa uma roda triangular, forja modelos mal-acabados. Quis escrever sobre a derrota da minha virilidade, mas parei. Escrever deve ser expor-se sem medo ou amarras. E confesso que ainda devo a todos (e mais ainda a mim) descascar-me intimamente.

Só assim a escrita é válida e real. Só assim vale para alguma coisa, que não encher linhas numa segunda-feira bucólica. Então vou comprometer-me a aprofundar o texto, verticalizar o sentir: e criar sem barreiras. Porque a única razão legítima de escrever é ler-se.

2 comentários:

Andréa disse...

Oi Gustavo!
Pode ter certeza: te ler me faz um bem danado.
Aliás, tem dias que parece que você escreve pra mim, de tão próximas que são nossas experiências. E olha que temos um oceano nos separando (sem contar os enredos...).
Enfim, sei o que você sente quando fala da necessidade de escrever. Pra mim também é assim.
Tem dias que o tema acorda comigo, vou lá, sento, escrevo e elaboro.
Mas tem dias que vem como um soluço, ou como um espasmo: é impossível controlar.

Beijos de uma leitora assídua,
Andréa

João Guilhoto disse...

Escrever é expor o nosso interior complexo, pessoal à materialidade do mundo, esperando por um feedback. O nosso íntimo que se tenta bifurcar aos poucos pelos tubos estreitos da nossa alma até que finalmente se estampa nestas páginas. É quase terapêutico.