domingo, 15 de novembro de 2009

Este acaso chamado destino


Não acredito em destino. Pelo menos de segunda a sábado. Domingo é diferente, então hoje quis crer. Ia sair do Centro Comercial das Amoreiras (durante este mês, volto a trabalhar no café) para o Centro Comercial Colombo.

Perdi o primeiro ônibus por questão de um minuto talvez; desatento, deixei o segundo passar após longa espera; e quando desisti de aguardar pelo terceiro e abandonei o ponto, eis que surge o automóvel.

A sucessão categórica de desastres fez-me valer da máxima: não era mesmo para eu ir. Enfrentei a chuva fina, andei alguns parcos quilômetros e tomei o metro em direção a casa. Mais fácil assim.

***

A noite de sábado foi de futebol. Portugal e Bósnia duelaram no estádio da Luz, por uma vaga no Mundial-2010. Foi o primeiro jogo, estive lá e deu 1-0 pros donos da casa.

A torcida lusa parecia num teatro, enquanto os bósnios entoavam gritos sempre animados, pulavam e vibravam com olhos rútilos e dentes cerrados. Deu saudade da festa nas arquibancadas brasileiras, do incentivo e das provocações.

Finda a partida, prometi que iria interagir com os visitantes. Queria trocar o cachecol – o meu de Portugal por um da Bósnia. Nem precisei sair da arena. Realizei o escambo com um senhor. Ele jogou o azul-amarelo, eu enviei o verde-vermelho.

Minha felicidade contagiou os bósnios. Parecia uma criança à frente do presente de Natal. Ficou marcado o rosto do homem desconhecido, a simplicidade do gesto de arremessar o objeto. Ele já deve ter passado por tantas coisas e agora carrego um pouco de sua história.

Onde comprou o cachecol? Quando? Como ganhou o dinheiro? Quantas vezes utilizou? Por que quis trocá-lo?

Talvez seja coisa do destino, numa participação especial no sábado.

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