terça-feira, 27 de outubro de 2009

O silêncio da nuvem


“Tudo está em silêncio como uma nuvem passando diante do sol.” Acho que foi em Viajante Solitário, de Jack Kerouac, que li isso. E agora faço essa relação com o meu momento. Tudo está em silêncio, os ponteiros dão voltas e nem ao menos dou conta de sua trajetória.

Parece, sei lá, que espero algo. Algo que nunca está onde sempre procuro. Ou sempre está onde nunca procuro. Vou gastando os minutos que restam para o apito final, como se empatasse uma partida que já sabia perdida.

Tenho poemas na manga que dizem tudo de mim. Mas nunca são (ou serão) publicados. Tenho tempos de ápice artístico, tempos de déficit estilístico. Fracasso na tentativa de ser entendido e vou seguindo por estradas inóspitas do desconhecimento fluido. Comunico-me para confundir-me.

E desses fragmentos que brotam sem coerência, vou coexistindo com a loucura. Amo tanto amar que descuido-me da realidade do sentimento – e passo a venerar a principal armadilha do amor: a ilusão. Vou viver escondido até encontrar alguém que saiba domar este animal selvagem dentro de mim.

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