sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Eu não sei

Eu não sei. Juro para vocês: eu não sei. Perguntam se volto, quando volto, o que farei ao voltar. E bagunça-me a ordem saber que em algum instante, por imediatio que seja, terei de decidir essas coisas.

Porque sinceramente, com toda a franqueza e serenidade que alguém franco e sereno possa exprimir-se, eu não sei. Já pensei em viver a vida que tem de ser vivida: emprego, casa, família. Sem tirar nem pôr.

Mas cada vez que foco no convencional, despedaço a convicção. Já pensei em adiar o futuro e fintar o destino. Depois que a gente voa a primeira, a segunda, a terceira vez, não há mais ninho, nenhum lugar é lar. E me questiono se não fujo das responsabilidades?

A resposta já devem saber que eu não sei. Vejo meus amigos daqui seguirem suas trajetórias... aqui. Vejo meus amigos de lá valorizarem os seus traçados. Tento entender em qual me identifico mais. Onde me encaixo. A qual mundo faço parte.

Todas essas dúvidas furtam o dia, a noite, o intervalo, a ressaca, a solidão, a euforia, o presente. E pego-me a pensar no amanhã quando o hoje ainda está a iniciar. Porém o que faço? O que resolvo? Eu não sei.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Viver tudo em romance

"O meu ideal seria viver tudo em romance, repousando na vida - ler as minhas emoções, viver o meu desprezo delas. Para quem tenha a imaginação à flor da pele, as aventuras de um protagonista de romance são emoção própria bastante, e mais, pois que são dele e nossas. Não há grande aventura como ter amado Lady Macbeth, com amor verdadeiro e direto; que tem que fazer que[m] assim amou senão, por descanso, não amar nesta vida ninguém?" (Fernando Pessoa)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O silêncio da nuvem


“Tudo está em silêncio como uma nuvem passando diante do sol.” Acho que foi em Viajante Solitário, de Jack Kerouac, que li isso. E agora faço essa relação com o meu momento. Tudo está em silêncio, os ponteiros dão voltas e nem ao menos dou conta de sua trajetória.

Parece, sei lá, que espero algo. Algo que nunca está onde sempre procuro. Ou sempre está onde nunca procuro. Vou gastando os minutos que restam para o apito final, como se empatasse uma partida que já sabia perdida.

Tenho poemas na manga que dizem tudo de mim. Mas nunca são (ou serão) publicados. Tenho tempos de ápice artístico, tempos de déficit estilístico. Fracasso na tentativa de ser entendido e vou seguindo por estradas inóspitas do desconhecimento fluido. Comunico-me para confundir-me.

E desses fragmentos que brotam sem coerência, vou coexistindo com a loucura. Amo tanto amar que descuido-me da realidade do sentimento – e passo a venerar a principal armadilha do amor: a ilusão. Vou viver escondido até encontrar alguém que saiba domar este animal selvagem dentro de mim.

domingo, 25 de outubro de 2009

Epopeia grega (Parte V)


Finalmente os monumentos! Porque contar Atenas em quatro textos e não citar o Partenon, o Templo de Zeus, o Templo de Poseidon, o Arco do Adriano, o Estádio Kallimarmaro... é até uma heresia mitológica.

Fui à capital grega com todo esse imaginário aflorado. Confesso que sempre fascinou-me a história de deuses e homens, heróis e mortais. Tanto que o foco da minha tese de mestrado é esse – a partir das crônicas esportivas de Nelson Rodrigues.

Estar no outro berço da mitologia (há cerca de 10 anos estive em Roma) foi como soltar uma criança num parque de diversões. Subi a Acrópole como quem passeia, eufórico, na roda gigante. Visitei o primeiro estádio das olimpíadas modernas com a alegria do garoto que estreia no circo.

A cidade antiga foge às vistas. Contemplar o infindável horizonte do Olimpo faz-nos, realmente, sentir eternos. Tirei fotos – para contrariar a minha máxima –, mas nenhuma delas conseguiu captar o “estar lá”.

É fácil andar por Atenas. Para os turistas, uma boa sugestão é o tran – uma espécie de eléctrico lisboeta. O destino é Síntagma, o centro histórico e comercial. A rua Ermou é a das lojas de grife.
Na Monastiraki, uma agradável zona, está o comércio informal.

À noite essa região transforma-se num ponto de encontro multietário. O Thissio reúne bares e restaurantes, alguns mais clássicos, outros modernos. As mesas ficam voltadas para onde as pessoas caminham. Já a Marina de Flisvos é um desfilo de requinte. Em meio às sofisticadas discos estão aportados iates de milhões de euros, de toda a parte da Europa.

Eis Atenas ao meu (singelo) olhar. No próximo fim de semana é a vez de Madrid, vale?

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Epopeia grega (Parte IV)

Kalimera, pessoal. Bom dia! Hoje eu ia contar sobre o habitual quando se pensa em Atenas: os templos, os deuses, a mitologia. Mas não – deixa para o quinto e último post.

É que ontem cheguei ao trabalho e fui hostilizado em grego com um gesto típico: os cinco dedos abertos e a palma da mão projetada à frente. O mesmo que o “número cinco”, mas arremessado com veemência. Isso quer dizer... bem, é o nosso “dedo do meio”.

Logicamente que os meus colegas descobriram o gesto e foram brincar comigo. Mas pegaram o jeito e virou costume. O melhor foi ver no estádio de futebol (assisti a Olympiacos 3 x 0 Asteras Tripoli, pelo campeonato grego) a torcida mandar a “mão” ao árbitro.

Claro que participei do xingamento. Na primeira vez, timidamente. Depois, quando o juiz deixou de marcar um pênalti e ainda deu cartão amarelo por simulação, levantei da cadeira e projetei as duas mãos abertas em direção ao mediador. Descobri que, seja lá qual for a forma de comunicação, é sempre terapêutico.

E por falar em sinais, o “não” e o “sim” também são diferentes. Para negar ou recusar alguma coisa, levanta-se o queixo – como se fosse o nosso “oquié?”. Ou então simplesmente erguem as sobrancelhas.

Já a afirmativa tem um lance meio epilético. Não sei fazer nem consegui reconhecer na rua, e da única demonstração assistida ficou um desentendimento total.

Só para não esquecer, uma vez que escrevo sobre símbolos... o da imagem acima é o amuleto de Boa sorte da Grécia. É um olho contra o mau olhado. Efaristó!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Epopeia grega (Parte III)


Uma das coisas que mais chama a atenção na Grécia é a culinária. Eles não são muito chegados a almoço. Come-se um souvlaki e pronto, está de bom tamanho. O souvlaki é um sanduíche com carne e vegetais, num pão sírio (a pita). Já o jantar...

... é um evento. Senta-se à mesa para ficar duas, três horas. O costume é pedir vários pratos e beliscar de tudo um pouco. A cozinha ateniense é muito saudável. Abusa-se das saladas. O porco e o carneiro são os tipos de carne mais consumidos. E ainda tem o moussaká.

Bem, conheci o moussaká ainda no Brasil. É uma lasanha de beringela. Minha mãe fazia muito, e quando descobri que era um prato grego – durante a Olimpíada de 2004 – brincava com ela. O que experimentei, tendo vista para a Acrópole, estava fenomenal.

Na rua, popular é um pãozinho (uma espécie de bagel) com gergelim vendido de 0,60€ a 1€. Nas casas, o que não pode faltar é o queijo feta. Além de ser barato nos mercados, o feta é uma delícia. Outra tradição grega é o masticha (diz-se mastirra).

O masticha, ou mastika, é uma resina retirada da ilha de Chios usada para fazer um licor e... chiclete. Reza a lenda que os nativos mastigavam as plantas e, daí, surgiu a pastilha elástica e o termo. Interessante, não?

E penso comigo: quantas histórias mais não estão encrustadas nesse país tão belo?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Epopeia grega (Parte II)


Quer pegar um táxi em Atenas? Então esteja preparado para negociar. Não o preço, mas o destino. Pode ser que o motorista simplesmente recuse a te levar. E se conseguir convencê-lo, não ache que a paz reinará. Caso dê na telha, o taxista para e pega outro passageiro.

É verdade... o veículo pode ter quatro pessoas que nunca se viram indo para um mesmo rumo. Paga-se o proporcional à corrida. Fiquei pensando se já não houveram casamentos, namoros ou amizades iniciados no veículo. Ou então, como cogitei fazer, pode acontecer a escolha a dedo daquele táxi com uma deusa dentro.

Por falar nisso, as gregas são exóticas. Tem uma beleza diferente, apesar de não ser comum encontrar uma mulher bonita na rua. São charmosas, embora às vezes abusem dos penduricalhos. Os traços lembram os árabes: o nariz é um pouco grande (mas já confessei a queda que tenho por narizes robustos) e a boca... ah, a boca é sensual e proporcionalmente carnuda.

É um povo alto. Tudo bem que minha referência atual são os portugueses, que são baixos por natureza. Curioso também é que as amigas costumam andar de braços entrelaçados na rua.

Atenas é uma cidade em conta. O preço do café parte de 1,20€ – em Portugal é 0,50€. E come-se bem por 10€. As principais cervejas são a Alfa e Mythos. Mas vou deixar a gastronomia e outras curiosidades para depois.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Epopeia grega (Parte I)


Yásas, Lisboa! Após cinco dias ausente da minha querida casa portuguesa, admito que senti saudade. Também de escrever, para relatar a epopeia na chuvosa Atenas. Apesar da água só ter dado trégua na tarde de sexta-feira e no domingo – dia do adeus –, foi possível conhecer a milenar cidade.

Difícil saber por onde começar. Vou pelo idioma, que é um obstáculo enorme. Porém, motivador. Porque o grego é mesmo complicado – pois ainda não sei se é pior de entender a língua falada ou a escrita. Efaristó é “obrigado”, parakaló é “por favor” e “de nada”, signómi é “desculpa” e “com licença”. Yásas quer dizer “olá”. Já no fim da viagem distribuía os quatro verbetes a todo mundo que encontrava pela frente.

Duro é que a partir daí achavam que eu era nativo e desembestavam a falar comigo. Então resgatava o meu inglês para balbuciar “Sorry, I don’t speak greek” e estava tudo bem. Quer dizer, quase tudo... o inglês deles é, por vezes, incompreensível.

Mas não há qualquer temor em virar-se na cidade. Os atenienses são gentis, apesar de os comerciantes serem um pouco impacientes. O povo compreende espanhol e arrisca-se no português. Pelas vistas, adoram o Brasil.

Ah, e sabe a tradição grega de quebrar pratos? Espatifei logo dois no chão, na área de alimentação do Ikea. Como bom admirador da cultura, tive de fazer a minha parte. Uns vão dizer que – estabanado como tudo – foi descuido meu. A verdade (minha, pelo menos) é que gosto de inserir-me nos costumes.

E esta saga ainda tem muito a relatar...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Correria

Os meus dias estão corridos. Amanhã parto numa jornada a Atenas. Dito desse jeito soa como uma epopéia. O fato é que ando a reapaixonar-me por Lisboa. O olhar de fora trouxe um novo olhar para o cotidiano (e, pela primeira vez depois de muito tempo, cogitei ficar).

Da Grécia, espero muita beleza. Vou banhar-me de cultura, mergulhar nas histórias de um povo alegre e valoroso. O importante é absorver, estar com os poros bem abertos para colecionar experiências. É nisso que a vida toma graça, toma jeito, entorna paixão.

domingo, 11 de outubro de 2009

Um sábado espetacular


Será mais simples do que devia, mais rápido do que gostaria... porém, ainda assim, serve de registro para a posteridade – não é este o intuito superior do blogue?

Vivi um sábado espetacular, balanceado entre boas parcerias e um jogo de futebol. Durante o dia tive a agradável companhia de uma nova amiga. Ela é arquiteta, ela é francesa e passeamos por Estoril e Cascais a deslumbrar-se com as histórias dos lugares e os lugares das histórias.

Essa troca de cultura aumenta a burrice de maneira sadia. Ou diminui a ignorância a conta-gotas. Quanto mais interagimos com o mundo, menos o inteiramos. Ficam partes soltas de eloquência momentânea, perdidas nesse silêncio do indescoberto.

Desculpem os fracos neologismos. O fato é que renovou-me, mais tarde nesse sábado completo, o duelo entre Portugal e Hungria pela eliminatórias europeias da Copa do Mundo. Assistir a uma partida no estádio (neste caso, o da Luz) é divino. Ou ainda: é uma recompensa dos deuses.

Acredito mesmo que lá esteja contida toda a essência humana. E o que é a massa misturada, aquelas individualidades confundidas, a multidão em harmonia? Arrepia. A minha pobreza de descrição, faz-me repetir: ARREPIA. Com todas as letras enormes para saber que não é figura de linguagem.

Ser contemplado com um dia assim mudou o meu dia seguinte. Ainda mais que hoje revi meus pais – após um ano. E Lisboa ganhou novas paixões nessa minha (a contragosto) estável trajetória recente. Porque como disse um professor meu, em certa aula do mestrado: “A paixão é a única coisa que importa na vida”.

Andava a sentir falta de (re)apaixonar-me por qualquer coisa que seja.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Fingir a felicidade

Uma das minhas especialidades do momento é camuflar a tristeza. Ou talvez driblá-la, enganá-la, ludibriá-la. Venho fingindo a felicidade para ao menos suportar o fato de que não ando feliz.

E sinto-me culpado. Oras bolas, por que cargas d’água tenho de estar cabisbaixo assim? Tem acontecido tanta coisa boa nesta trajetória: amigos, descobertas, viagens... e meus pais chegam depois de amanhã.

Durmo e acordo a questionar este peso. Vira e mexe, acompanha-me silencioso. Vira e mexe, lido com ele na volta para casa depois de uma noite divertida, enquanto preparo o almoço, em um filme que assisto, nos planos que traço. E minha vida parece distante de mim.

Finjo a felicidade para continuar tendo esperança. Mas às vezes repudio-me. Camuflo a tristeza para continuar sendo forte. Mas às vezes fraquejo – nunca à vista, porém mais vezes que muitos imaginam.

Queria ser leve, menos sonhador e não dedicar tanto os meus sorrisos a alguém.


terça-feira, 6 de outubro de 2009

Queda


Tenho queda por franja de lado e por nariz meio grande. Por voz rouca e pé bem cuidado. Por pouca maquiagem e sandália rasteira. Por bota clássica, vestido leve, blusa com ombro de fora e olhos que sorriem.

Tenho queda por cabelo curto, por rabo de cavalo alto, por presilhas no topo, por nuca à mostra. All-star, jeans e covinhas. Por mulher que gosta de sushi, fala de cinema, escuta jazz e não tem frescuras.

Tenho queda pela graciosidade das de 20, pelo desembaraço das de 30. Por aquelas que, educadamente, fingem não notar o flerte e retribuem o olhar com delicadeza. Por mão nas madeixas, pela malícia de um decote, por não que é sim, por tatuagem no pé (que sobe pelo tornozelo), colar rústico e calcinha estilo sunquini.

Tenho queda por mulher que cozinha, que aprecia bom vinho, se espreguiça devagarinho e quer companhia no mar. Ri de piada sem graça, é estabanada, topa fazer nada, entende piada elaborada, solta os ombros para trás e acaricia a minha nuca enquanto dirijo.

E ao mesmo tempo em que tenho queda por todos esses pormenores encantadores, já há muito não caio...

domingo, 4 de outubro de 2009

O Meu Ano Novo

É hoje, não mais e não menos, que faço um ano em Portugal. Pouco sei o que escrever. Para falar a verdade, ando sem inspiração e até com certo desprezo da minha escrita. Sou recheado de intenções, mas quando as palavras começam a fluir no papel somente emergem os clichês fajutos.

É hoje, exatamente, que desembarquei no Velho Mundo em busca de uma nova vida. Os meses rodaram, conheci pessoas e lugares, participei de eventos e descobertas, senti purezas e saudades. Tudo entranha-se à minha biografia com leviandade profunda, modificando para sempre o meu caráter.

É hoje, e todo 4 de outubro, que celebro o Meu Ano Novo.

sábado, 3 de outubro de 2009

Há um ano...


Quase um ano depois, refaço o caminho que fiz a Belém. Acordei com um sol estonteante e resolvi aproveitar Lisboa ao ar livre. Dei-me conta da reconstituição já no autocarro.

Muita coisa mudou de outubro de 2008, quando deixei o Brasil, pra cá. Houveram as mudanças práticas: mudei de casa (três vezes), mudei de emprego, de peso, de ideia para tese, de amigos, de mulheres, de corte de cabelo, de atividades, de hábitos. Mas mudei ainda mais por dentro.

Um ano atrás, era outro. E se hoje cruzasse na rua com aquele eu dificilmente o reconheceria. Estava repleto de hipóteses e vontades. Agora não me acho melhor ou pior: apenas mudado. Todos mudamos para continuarmos iguais.

Se pego-me a pensar quem devo ser é porque ando confuso. O exílio concede ganhos que somam perdas, perdas que resultam ganhos. É mesmo complicado entender. E a distância demorada, a solidão ululante, o crescimento silencioso... são misturas que tornam-se cotidianas.

Aqui, aprendemos a não alcançar respostas, mas entender qual é a pergunta que deve ser feita. Aprendemos que sonhos rejuvenescem e envelhecem, que queremos tanto e podemos ainda mais, que nem todos os medos foram catalogados, que a carência é uma merda, que novas aspirações vêm, sem quê nem porquê – mesmo aquelas desconhecidas.

Estou há um ano em um percurso que buscava há vários. Absorvo o que desejei, experimento a liberdade e seus efeitos colaterais, coleciono contos, fabrico artesanalmente as minhas vidas. Cheguei, enfim, ao papel de protagonista. Com custo, com gasto, com certezas e surpresas.

Não sei, hoje em dia, mais nada sobre a felicidade. Parece-me uma palavra estranha, uma sensação fora de mim. Porque essa perseguição já me é estranha. A felicidade nunca é fim, mas meio. E somente possível se não for percebida.

Deixei, há um ano, sem saber, um jeito qualquer de olhar as coisas...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A novidade. O ópio

É impressão minha ou saltaram setembro do calendário? Eu realmente nem o vi passar. Deve existir, hoje em dia, alguma pressa nas datas. As folhas correm, os dias atropelam-se e parece que ontem aconteceu há cinco anos.

Setembro foi uma época de visitas. Correção: setembro abriu a época de visitas, que se estenderá por outubro. Meus pais vêm lamber a cria e fazer turismo. Passarão por Lisboa para conhecer a minha Lisboa – depois vamos para a maravilhosa Atenas. Confesso que é uma agradável responsabilidade.

Gosto de receber as pessoas queridas. Vou adiante: gosto mais de receber as pessoas queridas que de visitá-las. Fascina-me a ideia de partilhar as descobertas, dividir os contos e trombar com seus olhares contemplativos. Os visitantes nos fazem reviver a novidade.

A novidade... é algo que preciso cotidianamente na vida. Um ópio.