quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Órfão de lar


São muitos meses muito longe. Tenho vontade de um lar. Do que possa sentir meu, sem ter de dividir – não porque seja egoísmo, mas porque a casa é nosso refúgio de privacidade; a rua é o convívio.

Caminho com essa sombra do desconforto. Às vezes, nem penso voltar pra casa. Vez ou outra, tenho disso: prefiro ocupar-me numa praça, num parque, num café, no metro, até num centro comercial. É das piores sensações que pode-se ter: orfandade.

Dia desses visitei o apartamento de um amigo e observei com nostalgia cada mobília, cada quadro pendurado, cada prato e copo. Sei que ainda tenho de aguentar mais um ano de nomadismo. Mais um ano num quarto, dividindo banheiro, cozinha e corredor com tantos estranhos.

Fiz 11 meses em Lisboa no último dia 4. E espero ter forças para suportar outros 11 – as viagens são um forte combustível de motivação. Confesso, porém, que tem faltado-me ânimo para o dia-a-dia... coisa que um lar poderia me dar.

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