segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O resgate da beleza


O mundo está cercado de mau humor, de cara feia, de reclamações, de sisudez, de grosseria e desrespeito. Minha percepção talvez seja caótica e apocalíptica. Mas o fato é que no nosso dia-a-dia recebemos menos sorrisos e bom dia que deveríamos. Tinha de ser lei, instituída e passada a ferro, as pessoas cruzarem-se na rua e apertarem os olhares.

Por isso quando sei do início de um romance, quando ouço uma música tocante ou quando vejo uma criança a brincar, o mundo recolore-se. Porque lá está a pureza da ação. E não há beleza mais profunda que enamorar, repetidamente, a sensibilidade da alegria expansiva.

Soa piegas, eu sei. Porque achamos essa coisa de sentir muito demodè. A gente sente medo, sente sede, sente fome, sente que vai chover... mas não sente que sente, e não permite ser sentido. Por muito tempo eu perguntava qual era o sentido de estar aqui, numa daquelas incursões existenciais que vez ou outra temos. E talvez a resposta esteja na própria pergunta: sentir.

Então passei a colecionar sentires e este abalo sísmico no peito, este terremoto que me toma de supetão no meio da burocracia de gestos, mostra que às vezes atinjo o objetivo. Sinto as dores e os amores alheios; as vontades e os dramas; as vocações e as frustrações. Porque permito esgotar-me para encher tudo de novo.

Mais que reunir bens, tenho a ambição egoísta de resgatar a beleza na vida das pessoas. (... despretensiosa pretensão de disseminar sorrisos puros pela escrita.)

2 comentários:

Andréa disse...

Gustavo,
também sou adepta do ditado "gentileza gera gentileza".
Meu bom dia é sincero, meu sorrisão é sincero, meu sentir é sincero.
Assim como a minha esperança de um dia encontrar só a beleza nas pessoas. Nem que seja nm olhar apenas.
Beijão,
Andréa

Juliana Toledo disse...

Em uma visita repentina olha o que encontro... Um texto divinamente bem escrito. Piegas são os meus comentários que insistem em insistir em quão bem você escreve. Adorei!!!