sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Fuga de mim

Nesta jornada tão própria, a gente perde um pouco da gente pelo caminho. Fica para trás aquele jeito de ser, de olhar, de pensar, de sonhar, de sentir... – e de não ser, olhar, pensar, sonhar e sentir. Já nem sei como sou, quem sou eu, mas hoje cogitei não regressar deste passeio no breu.

Quis permanecer, escondido da vida real, esquivando-me do tempo que passa. Como se isto, afinal, fosse Neverland. Subitamente, cheguei à resposta da dúvida que me arrebata quando fecho os olhos e encerro o dia: procuro algo ou fujo de algo?

Estive sempre a fugir, a fugir e a fugir. Minha vida só foi possível pois ela não é. Nunca existi. Corrijo-me: deixei de existir com credibilidade plena no primeiro adeus – o mais difícil, há três anos. Depois disso, passei a ser qualquer coisa como um objeto à superfície de um mar de óleo.

Não sei mais se reconhecem-me por aí... Se eu mesmo reconheço-me. E tive esse ímpeto de crer que desaprendi a desejar o eterno e a estar confortável diante da mesmice. Eu fujo de mim pois quero reinventar-me a cada fuga.

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