segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Sevilha, 47º C

O tempo das coisas. O tempo. Das coisas. Sou fascinado pelo tempo. Sou fascinado por esse encantamento nas horas que passam e nos contos que colecionamos. Sou, às vezes, urgente. Mas antes ser urgente que ser parado.

Já fui parado. Já quis simplesmente que o tempo passasse, sem que eu o desfrutasse. Mas hoje sou presente em meu agora e usufruo das coisas com a força do momento – aprendi a abrir meus poros para a existência.

E tenho aprendido muito mais nesta jornada, um pouco solitária, um pouco acompanhada. (Porém confesso que ainda inquieta-me achar que não absorvo tudo, efetivamente e do jeito “correto”.)

Enquanto a convicção titubeia, estimulo pontos distintos da minha alma, como se ela fosse uma experiência rara – e eu uma espécie de cientista louco. As viagens ajudam no processo. E estes dias estive na Espanha e sul de Portugal.

Viajar ativa essa falta de reconhecimento próprio. Atravessar paisagens estranhas é remexer vazios estranhos dentro de nós. Como se descobríssemos estantes empoeiradas e gavetas abarrotadas de novidades. Vou aliviá-los dessa parte íntima e ater-me aos importantes supérfluos.

Estive em Sevilha com quatro ótimos amigos. Enfrentamos uma temperatura além dos 45º C no sábado. Isso às 19h, ainda com sol a pino! Nem na sombra o calor aliviou. Diziam que a cidade espanhola era caliente, mas superou tudo que alguma vez imaginei.

É um lugar agradabilíssimo. Boa comida, ambiente delicioso e pessoas simpáticas. Amanhã conto mais. Também sobre a passagem no Algarve e no Alentejo, já em território português. O passeio foi rápido, contudo “o valor das coisas não está no tempo que duram, mas na intensidade com que acontecem” (Fernado Pessoa).

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