domingo, 2 de agosto de 2009

Sentir sem sentir


Sinto aquelas tardes preenchidas, dos segredos partilhados, olhares risonhos e gestos impossíves. Sinto-me no dia que as descobertas se descascam pouco a pouco, delicadamente. Sinto-me na noite que adentra tímida, a rasgar convenções, silenciosa como a lua nova, amarela.

Enquanto sinto, contemplo os rumos alheios e diversos; estranhos, mas tão próximos a mim. Sinto sem debruçar-me, sem arriscar-me, sem misturar a minha carne. Sinto sem sentir.

Eu tenho medo – e preciso confessá-lo. Eu me rodeio de solidões internas. Escuto a voz repetitiva da descrença e estagno na trajetória viandante. O nomadismo é o tropeço, a mudança é o ópio, o oculto é meu mundo.

Mas nada disso tem sentido. Nada disso nunca fará qualquer sentido, a não ser para mim. Porque eu carrego essa vontade, às vezes sôfrega, às vezes mágica, de penetrar corações com autêntica pureza.

Então escrevo para enganar a vontade – quando o que eu queria era nem ao menos sentir esse não-sentir.

Um comentário:

Andréa disse...

Gustavo,
só tenho uma coisa pra te dizer: SENSACIONAL!!
Bjs,
Andréa